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quarta-feira, 8 de julho de 2015

FC Porto já tem substituto para Jackson Martinez

Batistuta prepara-se para assinar pelo FC Porto. 


O avançado argentino tem efectuado uma preparação conservadora na última década de forma a estar em plena forma quando o campeonato começar. A eventual contratação do ponta de lança insere-se numa inovadora política geriátrica ao qual não será alheia a escolha do castanho para equipamento alternativo, de forma a não embaraçar os jogadores em momentos de falência intestinal.

O investimento em mais valias vintage obrigou os azuis e brancos a avultados investimentos em meios de reanimação, fraldas descartáveis e algálias só possível através da habitual parceria com a Doyen.

domingo, 21 de junho de 2015

Teoria da Batata


Se a teoria da batata fosse um facto cientificamente provado. Se eu fosse dado a teorias da conspiração ou do tipo desconfiado, estaria capaz de pensar que há coincidências tão descaradas que cheiram a esturro. 
Marco Ferreira, o árbitro de final da Taça de Portugal, época 2014-2015, foi relegado para a segunda categoria pela insuspeita Comissão de arbitragem da federação. Supostamente ter-lhe-á sido instaurado um processo disciplinar por eventual tentativa de pressão sobre um delegado.
O árbitro nega qualquer processo disciplinar, o que não quer dizer que não exista um inquérito a correr. Qualquer que seja a versão dos acontecimentos, a verdade é que não existe decisão pública sobre eventual procedimento federativo o que inviabiliza por si mesmo a sustentação aduzida para a decisão que atestou a despromoção do homem do juiz de campo madeirense.
Curiosamente, os árbitros são nomeados pelo conselho de arbitragem liderado por Jorge Coroado, supostamente e segundo o próprio, de acordo com a competência e o grau de exigência de cada jogo. Pois é…
Curiosamente é possível que um árbitro internacional possa passar de bestial a besta no espaço de uma temporada e logo atrás de suprassumos como Paixão ou Capela. Pois, parece que sim…
Curiosamente é possível ter um árbitro de segunda Liga a apitar uma final…
E ainda exigem respeito pela arbitragem. É preciso muita lata. Mais uma vez, a podridão vem de dentro e mancha aqueles que lutam para dignificar a classe. Classe! Isso mesmo, é uma questão de falta de classe e de vergonha da parte daqueles que alimentam um sistema sem rosto a quem todos devem e dele são cúmplices.
Alguém explica por que carga de água são os juízes avaliados por observadores sem categoria, ineptos e obscuros? Quem são eles? O que fazem? Para quem o fazem?
No mínimo os árbitros deviam ser observados por especialistas de créditos firmados na arbitragem, antigos árbitros internacionais ou por uma comissão alargada.
Já agora que os critérios de avaliação fossem públicos e regulares para se perceber a que tipo de aberrações estão os árbitros sujeitos antes de serem levados ao colo ou metidos numa jarra para amaciar.
Marco Ferreira foi o cordeiro pascal desta fantochada a que se chama arbitragem. Mero ato de propaganda para entreter os incautos e iludir os distraídos. Lá dizia o outro, é preciso limpar a merda toda da Federação.
Assino por baixo!





 

terça-feira, 16 de junho de 2015

A Caravana das Virtudes


Na senda de uma corrente tão comum no dirigismo desportivo português, Bruno de Carvalho faz alarde de ser alarve mesmo quando ninguém lhe pede para abrir a boca. É claro que vivemos num país (cada vez menos) livre (!?) mas isso não significa que possamos ou devamos cuspir perdigotos para os olhos das pessoas sempre que nos der na real gana. Por uma questão de dignidade e de respeito por nós mesmos e os nossos.
O Presidente do Sporting tem o direito a ser imbecil. Naquele tom gutural de betinho reguila, BdC, aproveita todos os momentos para insuflar o peito de ar e investir sobre tudo e contra todos, ao jeito de mártir incompreendido. Bem sabemos como acabam aqueles que se deixam ofuscar pela ilusão do seu reflexo no espelho. Há muitos como ele, no desporto e fora dele, para quem a fuga para a frente, mais do que um projecto de carreira é uma (estranha) forma de vida. Ah fadistas!
Fazendo uso de uma modernaça política comunicativa, Bruno de carvalho aproveitou mais uma vez as redes sociais para curar a azia do insucesso das modalidades do clube. Vai daí, de uma penada, tratou de culpar o Mundo (mais uma vez) pela sua desgraça. Segundo ele, O campeonato de Andebol, a taça de Hóquei e o nacional de Futsal, foram perdidos por erros de arbitragem.
É natural que, para quem trabalha 24 horas para e pelo clube, não reste muito tempo para análises aprofundadas ou para debater as verdadeiras razões do insucesso, mas convinha, para bem das novas auroras floridas, que o relatório não se resumisse a um copy past estafado, redutor e minimalista dos arquivos do passado. Algo contraditório para quem se insurge tão eloquentemente contra os seus protagonistas internos.
Aprender a ganhar faz-se também (e muito) da dignidade com que se encara a derrota e se aceita o mérito dos vencedores (Convenhamos que neste particular não existem diferenças entre os três maiores clubes de Portugal e a dor de corno é um mal que ataca todos). Quem conseguir decifrar os sintomas dos tempos e as suas tendências, mais capacitado irá estar para ganhar mais vezes.
 
Se bem que existam bruxas e que nem sempre ganhem os melhores, ninguém no fundo acredita que o tal sistema seja SEMPRE responsável pela incompetência. Por essas e por outras é que certos Estados se vão adiando, comprometendo o seu futuro e adulterando o passado…
Por falar em Estado, a ele se dirigiu o inflamado presidente dos leões, exortando a intervenção deste para a moralização do desporto nacional. Ao pedir a tomada de posição do Estado, BdC está a sacudir a água do capote e a assumir a incapacidade dos dirigentes desportivos portugueses para enfrentar os seus próprios desafios. Bem vistas as coisas, até nem fica mal a Bruno de Carvalho este arremedo de humildade. O que se estranha é a tamanha ingenuidade de pensar que quem menos faz pela moralização das instituições se proponha ao desconhecido. Sorte tem o presidente leonino se aqueles a quem se dirige não inventarem uma taxa para a verborreia. Se as palavras pagassem imposto, BdC tinha de arranjar um mealheiro para não se endividar… ou então um investidor angolano.
Bruno de Carvalho devia recorrer a acompanhamento especializado em patologias do foro psicanalítico. Talvez Freud possa explicar os seus complexos de perseguição e sua tendência para a conflitualidade. Às vezes o silêncio pode ser mais avisado do que o ruido inócuo. Tal não devia segredo para alguém que é um poço de virtudes. Mas talvez isso não interesse para nada.     


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Papoilas Saltitantes


Ora a ideia é apostar na formação para alimentar a equipa principal. Pois. Luís Filipe Vieira fala por uma meia verdade. É certo que o presidente do Benfica anunciou pomposamente e por decreto, uma equipa recheada de craques made in Seixal, e logo cinco (!). Nem mais nem menos. Uma mão cheia de panfletos para ilustrar o sucesso de uma década de investimento.
É inegável que LFV muito tem feito por uma das suas bandeiras predilectas, desde que pela primeira vez tomou posse como líder da marcha vermelha. A formação do jogador á Benfica, nado e criado na fábrica de talentos erigida para transformar a matéria, começou por ser uma quimera, após sucessivas gestões ruinosas e com a construção do actual estádio, que transformaram o clube numa entidade nómada, até começar a ver a luz do dia e a pronunciar auroras floridas (as papoilas saltitantes).
Ao assentar arraiais na margem sul, o clube soube construir uma estrutura sólida e competente, aliando num mesmo espaço físico, a tecnologia de ponta e os melhores métodos e profissionais. Inebriado pelo entusiasmo, Vieira, anunciou para breve a espinha dorsal da Selecção Nacional. É certo que o tempo é relativo, como as palavras. Nesta história de meias verdades, LFV bem podia estar a referir-se à sociedade global, estendendo os seus horizontes para lá das fronteiras lusitanas.
Com o dealbar da década, o Centro de Estágio do Seixal parece ter encontrado o seu ritmo ideal na produção de talentos. Dali têm saído nos últimos anos craques a troco de somas consideráveis. Como se diz da galinha, antes de o ser já era. Como se de um fenómeno se tratasse, o clube tem conseguido exportar os valores da sua cantera sem que o seja por via de uma natural exposição através da equipa principal. Se André Gomes chegou a ver a fazer alguns jogos na primeira equipa, outros como Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro ou Miguel Rosa, entre outros, pouco ou nada levaram para contar. Jesus sempre preferiu ganhar mais algum em comissões. Hábitos antigos…
Num plantel com vinte e cinco jogadores, dos quais cinco provenientes da equipa “B”, os sintomas apontam para mais um facelift profundo na base da equipa. Taarabt e Carcela, ambos internacionais marroquinos já assinaram, Zivkovic, está a caminho e os murmúrios apontam para outros mais. Mesmo dando de barato que Samaris, Pizzi, Gaitán, Talisca e Maxi poderão estar de partida, a política desportiva do clube da Luz evidência uma tendência para a circulação de jogadores que poderá não ser producente para um treinador acabado de chegar e com a pressão de substituir um técnico bicampeão.
No meio desta sangria desatada onde a Luz parece um entreposto de comercial, sobram dúvidas quanto ao efectivo aproveitamento de jogadores como Gonçalo Guedes ou João Teixeira os quais deverão estar talhados para outros voos mas longe da Luz, pela mão de Jorge “Midas” Mendes, já para falar das paletes que pululam no Seixal, à espera, quiçá, do mesmo destino.
A Rui Vitória caberá a última palavra, ou talvez não (estrutura oblige).

domingo, 7 de junho de 2015

Jesus e a última ceia?


Deixemos a origem da árvore das patacas para os especialistas em exoterismo ou talvez para os criminalistas. Para o ano é que é. A frase feita, cuja origem se perdeu e perpetuou no tempo, adquire para a próxima época um renovado significado, após a contratação de Jesus pelo Sporting.

A noticia caiu que nem uma bomba no espectro futebolístico português. Se nas ultimas semanas começava a ser evidente o divórcio entre o Benfica e o seu carismático treinador, nada levava a crer que o técnico se fizesse á vida no outro lado da segunda circular.

A verdade é que a saída de Jesus da Luz se fez anunciar por alturas de Dezembro quando Luís Filipe Vieira prometeu para a época seguinte uma aposta efetiva na formação do clube e uma retração no investimento do futebol profissional. Nas entrelinhas estaria subjacente um recado para o treinador campeão nacional cuja apetência pelo produto interno sempre foi por si ostracizado.

Neste sim ou sopas, o apóstolo da Reboleira cedo terá percebido que o seu ciclo estaria no fim. O que não se percebe é todo o alarido e incómodo evidenciado com o anuncio do ataque sportinguista. Sendo Jesus um treinador livre de contrato, é obvio que este possa tomar aquela que para si lhe pareceu a melhor decisão para o futuro. Se LFV não estava interessado na continuidade do técnico podia e devia ter tomado conta dos acontecimentos ao invés de se deixar iludir pelas consequências. Ambos podiam ter concertado o anuncio da despedida e poupar-se a fait divers de julgamentos de carácter.

Na verdade o que parece é. Ao jeito de um finge-que-vai-mas-não-vai, o presidente do Benfica assumiu a mudança de paradigma no projeto da sua equipa principal, com sérias dúvidas quanto a tratar-se de Jorge Jesus a pessoa adequada para levar a cabo a mudança e ao mesmo tempo mostrando renitência a largar mão de alguém com competência provada para conquistar títulos. Se LFV não tivesse dúvidas sobre a solidez da tal "estrutura", todo este rambório dos últimos dias não se teria transformado num "Ai Jesus" e até sorriria com irónica bonomia perante os acontecimentos.

Independentemente do folclore em torno do despedimento de Marco Silva, o que é certo é que o golpe de asa dos responsáveis do Sporting surje como uma amostra de repentina vitalidade num clube farto de andar na sombra dos eternos rivais, pronunciando uma inversão total na politica desportiva e de gestão do clube de Alvalade. A aposta leonina é uma clara fuga para a frente, investindo todas as fichas num all in de elevado risco.

Se o Sporting for campeão, terá todas as condições para voltar a rugir, se ao invés, a época não for produtiva, o clube arrisca-se a ficar órfão dos seus credores e á mercê de um retrocesso na sua identidade, voltando a uma obscuridade que lhe poderá hipotecar o seu futuro. A direção leonina está convicta de que os fins justificarão os meios. A ver vamos se o copo estará meio cheio ou meio vazio.






quinta-feira, 28 de maio de 2015

A Poeira dos dias

Para cumprir as responsabilidades assumidas perante os seus credores, os principais clubes portugueses têm de garantir receitas com transferências de jogadores, bem acima dos €50M por época. O FC Porto na última década e o Benfica nos últimos anos, tem sabido rentabilizar o forte investimento efectuado nos respectivos plantéis, garantindo a venda dos seus activos por valores record.

Embora a época ainda não esteja oficialmente encerrada, o êxodo anual já começou e a procissão ainda está no adro, se bem que com a dilação cada vez maior dos períodos de transferências, o andor nunca chegue verdadeiramente ao altar. “É a economia global, estúpido!” O FC Porto foi o primeiro a prometer o dote de um dos seus tesouros, numa fase ainda prematura das hostilidades, trocando por miúdos (milhões) a declaração de amor do Real Madrid por Danilo. Para Jackson estará á muito reservada a possibilidade de partida para destinos mais promissores e Alex Sandro desperta a cobiça dos tubarões europeus o que pronuncia dinheiro em caixa para os cofres do Dragão.

Também o Benfica, em especial no consulado de Jorge Jesus, tem habituado a sua tesouraria a jackpots regulares estando habituado a ver partir as estrelas mais cintilantes do seu plantel. Com a oficina ainda aberta aguarda-se guia de marcha para Cancelo e Gaitán, mas a feira ainda mal assentou arraiais e a extracção do minério da Luz promete novos episódios nos próximos tempos.

Esta tendência para os grandes negócios por parte dos dois protagonistas da nossa Liga resulta do forte investimento levado a cabo por estes, em parceria com as entidades bancárias e os chamados Fundos com os quais se tornou possível adquirir futebolistas de potencial elevado, devidamente rentabilizados em equipas competitivas, cujo retorno financeiro tem sido uma certeza por parte dos verdadeiros donos do dinheiro.

Porém, a crise do sistema bancário, aliada ao fim dos Fundos de Investimento decretada recentemente pela FIFA, pronunciam ventos de mudança no que toca á principal fonte de investimento dos clubes de segunda linha do futebol europeu, nos quais se enquadram os “grandes” do futebol português.

Chegados ao tempo das vacas magras, em breve se perceberá quem está mais preparado para se adaptar às circunstâncias. Com a debandada dos seus activos mais lucrativos e sem (tanto) dinheiro para vícios, a tendência será que as transferências milionárias sejam cada vez mais raras, a não ser que Benfica e FC Porto consigam descobrir novos Gaitáns, Danilos e Jacksons, a preço de custo nos mercados já muito saturados da América do Sul e Central (difícil). Desta forma não restará às respectivas S.A.D., outro caminho senão o de potenciar os jogadores da formação, sabendo porem que, tal como na agricultura, existem colheitas melhores do que outras com consequências nos lucros averbados.

O importante será garantir o escoamento de “produtos” com certificados de qualidade. Neste capítulo, diga-se, o Benfica tem sido exemplar; embora com méritos discutíveis no horizonte do plantel principal; apontando o caminho a seguir, de forma a rentabilizar os elevados investimentos efectuados nos seus centros de formação e a garantir a própria sustentabilidade dos mesmos.

Quanto a reforços e em tempo de vacas magras, o mercado interno parece ser uma tendência natural. Quem não tem cão caça com gato por isso, de bolsos meio vazios (ou meio cheios, para não ser tão pessimista) contratar intramuros garante apostas de baixo risco em futebolistas plenamente adaptados ao nosso futebol e de competência média interessante para satisfazer as novas exigências.

A tendência da Liga portuguesa será, portanto, para ver diminuído o fosso entre ricos e pobres por via de um abaixamento qualitativo dos seus protagonistas. O Sporting á muito despertou para a realidade. FC Porto e Benfica só agora começam a abrir os olhos. Bem-vindos ao Mundo real.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Caniches, patetas e outros disparates

Era uma vez um caniche que ladrava muito  e andava sempre aos saltinhos para dar nas vistas. Este caniche tinha pedrigree mas vivia amargurado com a sua pequenez, culpando tudo e todos pela sua frustrante incapacidade de ser o que não é. Com o tempo foi perdendo a lucidez  e só ás portas da morte percebeu que o tempo tinha passado sem que do seu engenho se fizesse noticia, para alem do seu latir nervoso.

Paulo de Andrade não é um caniche mas bem podia ser. Naquele seu jeito tão leonino (!?) de ser vítima de si mesmo, insiste nesta estranha autofagia. Esta semana, resolveu verbalizar uns quantos latidos de circunstância sobre uma velha cassete de fita gasta guardada num sotão de telheiras, entre macaquinhos com complexo de perseguição, o que até vem a propósito em período de definição da Liga, coisa em que o Sporting não tem sido visto nos últimos anos. Vai daí, resolveu aproveitar o tempo de antena que lhe foi dado na CMTV para com a naturalidade de um lunático, culpar a arbitragem por mais uma época a ver passar os comboios. Francamente, se não fosse o respeito pelo mundo animal, mandava este caniche para a Coreia... (http://playwire.com/)

A propósito do mundo animal, quem nunca ouviu falar da história do ovo e da galinha, aquela que antes de o ser já o era? Na habitual conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Benfica, José Mota aproveitou para contar a sua versão deste conto, dissertando com o sentido de humor possível, sobre a sua estranheza e do resto do Mundo pela nomeação de Capela para este jogo. É verdade que Capela faz parte daquele leque de árbitros simplesmente incompetentes que sujam a arbitragem nacional, mas daí a tomar como suas as dores alheias, vai para lá do altruísmo militante. Esta moda da crítica futurologista diz bem da personalidade rasteira de uma certa espécie de agentes do futebol português. Em matéria teatral, Mota terá muito mais a aprender se ler o Auto da Barca do Inferno ou Auto da Visitação para saber a respeitar os tempos de um espectáculo...


Por falar em ridículo, Em entrevista ao SOL, Jorge Jesus entendeu qualificar Lopetegui de "corajoso", acrescentando que o basco havia subido na sua cotação. depois do episódio do clássico de domingo. Por uma questão de piedosa bonomia, o mister da Reboleira, podia aproveitar para ficar calado e a atitude acriançada do treinador dos dragões bastaria para falar pelo seu autor. Mas não, como quem tira com uma mão e tira com a outra, JJ, acrescentou que Lopetegui "é um lider como homem... a qualidade como treinador é outra coisa". Lá dizia o outro, não havia necessidade (http://sol.pt/noticia/389173).



terça-feira, 28 de abril de 2015

Liga dos Fulminantes

Na minha infância havia umas pistolas de brincar que eram carregadas com rolos de papel. Estes brinquedos (?!) simulavam tiros reais e chegavam a fazer fumarada. Tratavam-se de réplicas tão reais que foram um sucesso, sobretudo no Carnaval, como complemento de uma máscara de cowboy.

“O amor que enlouquece e permite que se abram intercadências de luz no espírito, para que a saudade rebrilhe na escuridão da demência, é incomparavelmente mais funesto que o amor fulminante”. – Camilo Castelo Branco

Não era nada disto que procurava quando procurei no browser mais próximo a definição para a palavra fulminante, mas agora que penso nisso, talvez não deixe de fazer sentido, ainda que de uma forma rebuscada e irónica, se, no mundo do futebol, falarmos de promessas adiadas, jogadores que não se adaptaram, ou em fase de assimilação de processos, blá, blá. Os chamados flops.

Chegam envoltos em papel de embrulho, colorido e elegante, fazendo palpitar de expectativa renovada os adeptos dos seus clubes, e o amor acontece. À primeira vista o algodão não engana. “Isto é material do bom. Vão por mim que sou bombeiro!” Podia dizer o vendedor de banha da cobra, habituado a engodar em dias de pesca falada. Por respeito ao sujeito humano e á etiqueta que traz colada no corpo, profere-se frase mais escorreita e politicamente correcta, para não espantar o lucro. “Este é craque. Jogador dedicado e com muita força de vontade…”

Depois é que são elas, que é como quem diz, eles. Passam-se semanas, sucedem-se as jornadas, os jogos, as temporadas e das promessas não se vislumbra coisa válida que satisfaça a saciedade. Diz que é o treinador, que são as lesões, talvez seja dos pés, da cabeça de dentro ou da que sustenta o penteado. O certo é que esse amor fulminante, que enlouquece e que abre “intercadências de luz”, cedo perde a sua chama a pontos de se dar ao apagamento definitivo até as trevas revolverem de impaciência as vísceras dos adeptos e a ilusão dar lugar ao esquecimento.

Quantos se lembrarão ainda de um tal de Adrián Lopez, internacional espanhol proveniente da destinta casta Colchonera que no Verão passado aterrou no Olival… e nunca mais foi visto? Na dúvida, talento adiado (“Vão por mim que sou bombeiro”) mas nunca pé de chumbo, que aqueles pés custaram ouro (€11M).

Simeon Slavchev. Quem? Costuma ser visto em Alcochete, em dias de treino. O médio búlgaro por quem Bruno de Carvalho se dispôs a pagar €2,5M por 85% do passe, prometia ser aposta séria em tempo de vacas magras. Arrependido andará por estes dias o presidente leonino por não ter adquirido os 15% correspondentes aos pés do craque.

Insistindo numa sequela muito batida, o Benfica voltou a alegrar o defeso com a contratação de mais um lateral esquerdo. Em seis épocas de consulado, Jesus conseguia arregimentar um plantel só à custa de defesas canhestros. Benito. Este menino bonito virou patinho feio e palpita-me que nem o beijo de uma princesa lhe vai devolver a aura.

Neste Carnaval de fulminantes, nenhum clube se fica a rir. Todos gostam de foguetório e a tendência para andar aos tiros com pólvora seca não se limita aos exemplos indicados. Muito haveria para dizer de Derleys, Sackos, Campañas e outros artigos de fundo de catálogo, com mais jeito para cadernetas de cromos desbotados do que para enfeitiçar de amor pungente o mais inocente dos adeptos. Mau é o agoiro, agora que o dinheiro é cada vez mais de menos para molhar os bolsos dos vendedores de banha da cobra e daqueles que lhes aparam o jogo. 
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