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quinta-feira, 18 de junho de 2015

Manchester United - Teatro dos Pesadelos

 
Ridículo, terá pensado Sir Alex Ferguson ao assistir à volta olímpica de Van Gaal, no final da sua primeira época ao serviço do Manchester United. Satisfação pelo “fantástico” 4º lugar alcançado, pura acção de propaganda ou simplesmente sintoma de senilidade precoce?
O que é certo é que o ex-seleccionador holandês não terá conseguido reprimir o alívio por ter garantido o apuramento europeu após uma primeira volta preocupante. Afinal, o que seria do Teatro dos Sonhos sem o regresso das suas noites Europeias? O que seria de Van Gaal?
Na verdade, não obstante o seu feitio truculento, a longa carreira treinador do país das túlipas, suscitava a crença no renascimento do todo-poderoso clube do Noroeste de Inglaterra aleado ao pormenor dos €200M investidos no reforço da equipa. Com jogadores como Di Maria, Falcão, Blind e até mesmo Marcos Rojo (!?), para além da base de luxo já existente, composta por Rooney, Van Persie, De Gea, Mata, entre outros, não havia espaço para menos do que uma firme candidatura ao título de campeão. 
Cedo os apaixonados discípulos de Sir Bobby Charlton viram goradas as expectativas de uma época de sonho, fruto de um futebol titubeante e anémico. Van Gaal, achou que a táctica se havia de sobrepor às vicissitudes do seu plantel e procurou impor o sistema de três defesas, transplantado da Holanda do Brasil 2014. Nada mais errado pelo que se havia de assistir no decorrer da primeira metade da temporada inglesa.  
Sem por em causa o sistema táctico de três defesas, não se entendem as adaptações de jogadores a funções para as quais não estavam rotinados, dispondo o plantel de elementos suficientes para o desenho holandês sem desvirtuar aquilo que cada um tem de melhor. Blind a interior esquerdo ou Rooney a médio de construção são exemplos do destrambelhamento do ex-seleccionador laranja, que entretanto se permitiu a secar mais-valias da qualidade de um Di Maria ou de um Falcão. Sendo certo que o avançado tem uma classe que lhe permite adaptar-se a papéis para os quais não está formatado, é no mínimo bizarro forçar a sua marcha atrás tendo em Mata jogador mais do que capacitado para estabelecer pontes com a zona da coruja. Resultado, Van Persie, abandonado à sua sorte na frente de ataque, trocando classe por suor, com reflexos no aproveitamento sofrível. Ao mesmo tempo que se propunha à sua revolução estratégica, Van Gaal, não conteve a sua sobranceria, expondo a sua manta de retalhos aos adversários, fazendo avançar a equipa até às imediações da grande área adversária sem a adequada correspondência com o equilíbrio posicional e a atitude pressionante, fundamentais para garantir equilíbrios. Luxos…
É verdade que existem atenuantes para a época sofrível dos diabos vermelhos como a onda de lesões que afrontou o plantel durante grande parte da época, em especial na defesa e também na zona central do meio campo mas encontrar justificações na figura abstracta do azar poderá ser demasiado parecendo certo que a equipa técnica terá tido também neste capítulo culpas no cartório ao não planear adequadamente a metodologia de treino de forma a prevenir lesões. A mudança de rotinas não tem impacto apenas ao nível das diferentes abordagens tácticas mas também na relação físico-atlética do jogador. Ao descurar-se essa evidência fomenta-se o fenómeno galopante deste tipo episódios. Não há coincidências.
Na segunda metade da época, com o plantel mais composto, Van Gaal recuperou a compostura, devolveu as feras ao seu habitat natural e o Man United fez-se renasceu para a vida, a pontos de enxergar a cabeça do pelotão. Não obstante o sprint final, o tão ambicionado título não passou de uma miragem para a equipa tendo de contentar-se com o regresso às competições Europeias o que, bem vistas as coisas, depois de um começo tenebroso como o aquele que experimentou, acaba por soar a um troféu digno de uma volta olímpica.
Na próxima época, se o United não regressar ao destino a que está obrigado pela sua História, o mais provável é que Van Gaal regresse ao seu amado Algarve mais cedo do que terá idealizado.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Hot Cherrie

Há pouco tempo apeteceu-me jogar FM e escolhi a Liga Inglesa. Para a coisa ter mais interesse decidi pegar numa equipa do Championship, que equivale a uma segunda divisão, mas fiquei indeciso. Para facilitar a minha decisão fui ao Google Earth procurar por um clube que fosse representativo de uma cidade costeira a sul mas que não fosse  Portsmouth, que me podia trazer pesadelos recorrentes com a fronha do Pedro Mendes – Cruzes canhoto! Foi então que dei de caras com Bournemouth, cidade simpática, de extenso areal onde o cinzento me pareceu menos sorumbático, no sudoeste da velha Albion. Em que é que a localização é importante para um simulador de jogo? Nada. Apeteceu-me, pronto. Podia procurar por simbologia alusiva a produtos frutícolas ou pelo rácio de habitantes com problemas de continência, mas optei pela geografia, sempre soa menos a palermice.

Tal vem a propósito da inevitável ascensão do Athletic Football Club Bournemouth à Premiership na época 2015/16. Em 2008 o clube gravitava na Division Two, o equivalente a uma quarta divisão, vivenciando a maior crise financeira da sua modesta história na sequência da qual lhe foram subtraídos 17 pontos e viu-se em risco de ser relegado para a subcave das competições inglesas para apodrecer num qualquer afluente da Conference League.

Sob o comando de Eddie Howe, ex-jogador do clube, os Cherries viriam a conhecer uma ascensão meteórica que, em seis épocas, os conduziriam à glória eminente, que, a acontecer será a primeira vez numa estória que começou em 1899. Até aqui, o melhor que tinha para contar à descendência haviam sido as três épocas em que gravitou na segunda divisão, entre 1987 e 1990 sob os auspícios de Harry Redknapp, com quem se sagrara campeão da terceira divisão, na época de 1986/87.


Por este clube passaram Harry Redknapp, jogador, o seu filho Jamie, que ali fez a sua estreia com a precoce idade de 16 anos, Darren Anderton, Jermain Defoe, Steve Fletcher ou o icónico George Best.

No mundo virtual, em duas épocas, subi do Championship para a Premierleague e daí para a Europa foi um ápice. Mas isso aconteceu no PC, já agora à custa de muito restart. Quanto ao Bournemouth de carne e osso, não restará outra alternativa do que viver a sua doce utopia  entre os maiores de Inglaterra, como se fosse a última e esperar que entre fantasia e realidade a diferença não seja assim tão infinita.
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