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sábado, 9 de junho de 2012

Palestra de sofá

Chegou a hora. O futebol é apenas um jogo que, de tão simples, chega a ser mais complexo que um teorema matemático. Para ganhar aos alemães, "basta" impedir a pressão alta que aqueles deverão apresentar para anular a principal arma da nossa equipa, o contra-ataque. Como? Jogando com as linhas muito juntas e com a dinâmica necessária para permitir uma circulação rápida e em posse, roubamos a bola ao adversário e fazemos os alemães cheirá-la. Nesta troca posicional e rendilhada, procuramos espaço nas costas da defesa através das penetrações rápidas por parte de Ronaldo e Nani. 

Assim sendo, duas posições são fundamentais. Jogando nos seu sistema habitual, 4:3:3, prevê-se que Paulo Bento opte por um triângulo invertido no miolo, com Miguel Veloso, à frente da defesa e nas costas de Moutinho e Meireles. Veloso é muito útil na colocação de bolas à distância, no entanto, jogando na lógica atrás descrita, Custódio oferece maior agressividade e sentido posicional naquela função, embora menos afoito nas transições. Lá na frente, Nelson Oliveira, poderia ser uma arma muito importante pelo seu dinamismo e a velocidade que lhe permite percorrer toda a frente de ataque à procura dos espaços no ultimo reduto germânico. 

Palavra de treinador de pantufas, um entre dez milhões. O que interessa é ganhar, nem que seja com um auto-golo de Neuer. Assim seja. 

Força Portugal!




sexta-feira, 8 de junho de 2012

As vozes e os burros

Diz-se por aí que vozes de burro não chegam ao céu. Talvez não, mas pelo menos, chegam a Lviv. Contrariamente ao que se diz por aí, a dor de corno de alguns, apesar de ser incómoda pode ser um surpreendente lenitivo para a selecção nacional. Espicaçados pela fanfarronice dos alemães e pelo "patriotismo" sui generis de Manuel José e de Queiroz, os nossos jogadores entrarão em campo com uma vontade de extra de calar os zurros. Com raça, muita ambição e (porque não) um pouco de sorte, o destino de Portugal até pode nem ser aquele que as aves agoirentas pronunciam. 

Pela primeira vez desde à muito, a equipa portuguesa, entra em campo sem o rótulo de favorita, num grupo de pesos pesados cujas expectativas se projectam para a final. Até nesse pormenor temos mais um sintoma positivo para o nosso destino. É que, como quase sempre, os eruditos do jornalismo desportivo e afins, costumam enganar-se ainda mais do que os senhores das previsões meteorológicas e, como tal, temos razões para sonhar, tão pouco a perder e tanto a ganhar. 




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