Excelente vídeo da Nike, com Cristiano Ronaldo no papel principal.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
The Switch
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Ricardo Quaresma
domingo, 28 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 8 de julho de 2015
FC Porto já tem substituto para Jackson Martinez
Batistuta prepara-se para assinar pelo FC Porto.
O avançado argentino tem efectuado uma preparação conservadora na última década de forma a estar em plena forma quando o campeonato começar. A eventual contratação do ponta de lança insere-se numa inovadora política geriátrica ao qual não será alheia a escolha do castanho para equipamento alternativo, de forma a não embaraçar os jogadores em momentos de falência intestinal.
O investimento em mais valias vintage obrigou os azuis e brancos a avultados investimentos em meios de reanimação, fraldas descartáveis e algálias só possível através da habitual parceria com a Doyen.
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terça-feira, 7 de julho de 2015
Coito interrompido
O
jogador português é como aquele espermatozoide empreendedor, às voltas com o
seu destino mas que teima em esbarrar num coito interrompido.
Primeiro
foram os S20 a ficar pelo caminho no desempate por pontapés na marca da grande
penalidade, nas ½ do Mundial da Nova Zelândia. A seguir foram os S21 a afinar
pelo mesmo diapasão, no jogo de atribuição do troféu de Campeão da Europa.
Ainda bem que o direito à presença nos jogos olímpicos não depende deste
expediente senão…
É
ponto assente a qualidade do trabalho desenvolvido pelas selecções de base da
Portuguesa, com projectos consolidados numa estrutura de técnicos a que não são
alheias as equipas B dos clubes onde a maior parte dos jogadores têm tido
possibilidade de ganhar lastro para enfrentar os desafios colectivos. A actual
fornada de atletas promete matéria-prima suficiente para assegurar o futuro da
selecção principal e um nível elevado de competência técnica e o futebol
enleante a que, por defeito, nos fomos habituando.
Se
há mérito nas caminhadas recentes das selecções jovens é o de trazer à colação velhos
hábitos de quase glória que fizeram do futebol português um candidato efectivo
às vitórias morais e às cantilenas de azedume contra uma “sorte” madrasta que
fez do fado uma alma tão nossa.
Com
efeito, se no futebol o triunfo fosse definido pelo mérito e pelas vitórias
morais, estaríamos no topo da hierarquia mundial. Dá-se o caso de alguém ter
inventado esse pormenor tão singelo do golo para separar o trigo do joio,
sublimando de forma tão subtil quanto amarga a diferença entre a lembrança e o
esquecimento.
O
jogador português é por definição habilidoso e lutador, apaixonado e inventivo,
está mais crescido e possante, mas na hora “H” teima em ter medo de ser feliz.
Como um karma colectivo, um anátema que nasce com a gente e para o qual ainda
não se encontrou cura.
A velha questão da
mentalidade continua a não ter correspondência na confiança com que se atacam
objectivos. Conquistámos trinta metros aos anos 80. Agora só falta conquistar
11 metros. Alguém conhece um bom psicanalista?
segunda-feira, 6 de julho de 2015
Sporting Jesus de Portugal
A política
desportiva do Sporting para a época que se avizinha tem um nome e chama-se
Jorge Jesus.
Cansado de promessas de redenção de um passado de glória alicerçadas na contenção
de despesas e no seu centro de formação, o presidente leonino deu a mão à
palmatória e decidiu entregar a quem sabe a sua política desportiva para o
futebol.
A decisão de
Bruno de Carvalho foi um vistoso golpe de mãos a pedir meças aos velhos tempos
de Pinto da Costa. Numa penada, rompe com um passado recente de modéstas
virtudes, trazendo para o clube o segundo melhor técnico português da
actualidade com a confiança cega na verdadeira essência do papel bíblico do
profeta da redenção nascido para os lados da Amadora.
Em matéria de
apóstolos, as notícias dão conta de verdades contraditórias. Como tem sido
apanágio do futebol português, a mentira de ontem é uma verdade de hoje. “Vocês
sabem bem do que estou a falar”.
O novo timoneiro
dos leões, escolheu para cúmplice da sua visão periférica, dois figurões que,
por razões distintas merecem destaque na controvérsia e maldizer próprios do metier sportinguista. Octávio Machado,
aquele que tudo sabe mas nada diz, frontal como uma manhã de nevoeiro, disposto
ao contra-fogo com a experiência acumulada no meio da piromania e Manuel
Fernandes, recuperado para as vicissitudes leoninas qual Lázaro, após ter sido
corrido de Alvalade com o atestado de incompetência de pior funcionário do
clube. Ele há coisas fantásticas não há?
Com a entrega do
poder efectivo ao treinador tri campeão, o Sporting rompe de vez com o
paradigma da formação em detrimento de uma fuga para a frente. O tempo o dirá
se esta terá sido a melhor opção. Jesus passa a dispor de liberdade total na
definição do caminho a seguir, algo de que nunca dispôs no consulado vermelho.
Este saberá melhor do que ninguém o que é preciso para ser bem-sucedido de leão
ao peito. Resta saber se os cofres leoninos estarão cheios para satisfazer os
apetites do seu técnico.
Não restam
dúvidas quanto ao nascimento de um novo Sporting, o tempo dirá se se tratará de
um Sporting novo. Com o Benfica no início de um novo ciclo de retracção
orçamental e a versão acastanhada de um FC Porto determinado em recuperar
velhos hábitos (...!), Jorge Jesus sabe bem da responsabilidade que assume
perante a história dos seus novos seguidores. Como o próprio enfatiza no seu
tom peculiar, a estrutura são vitórias, sendo certo que, na sua sagacidade, o
mago da Reboleira, saberá como ninguém que os obstáculos mais difíceis ao seu
sucesso gravitam na esfera próxima do clube, cuja política se confundirá, para
o bem ou para o mal, com a sua própria identidade. A eloquência cega e um tanto
destrambelhada da direcção verde e branca à mistura com a habitual horda de
agitadores no seio da corte leonina, torna o terreno movediço para um treinador
obcecado pela glória. “Espelho meu, haverá alguém melhor do que eu?”.
A ver vamos se o
criador se substitui à estrutura e se o casamento recente não desvalará em
despedimento por justa causa. Pelo sim pelo não, o melhor é Jesus deixar de levar
pastilhas para os jogos.
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domingo, 21 de junho de 2015
Teoria da Batata
Se a
teoria da batata fosse um facto cientificamente provado. Se eu fosse dado a
teorias da conspiração ou do tipo desconfiado, estaria capaz de pensar que há
coincidências tão descaradas que cheiram a esturro.
Marco
Ferreira, o árbitro de final da Taça de Portugal, época 2014-2015, foi relegado
para a segunda categoria pela insuspeita Comissão de arbitragem da federação.
Supostamente ter-lhe-á sido instaurado um processo disciplinar por eventual
tentativa de pressão sobre um delegado.
O árbitro
nega qualquer processo disciplinar, o que não quer dizer que
não exista um inquérito a correr. Qualquer que seja a versão dos
acontecimentos, a verdade é que não existe decisão pública sobre eventual
procedimento federativo o que inviabiliza por si mesmo a sustentação aduzida
para a decisão que atestou a despromoção do homem do juiz de campo madeirense.
Curiosamente,
os árbitros são nomeados pelo conselho de arbitragem liderado por Jorge Coroado,
supostamente e segundo o próprio, de acordo com a competência e o grau de
exigência de cada jogo. Pois é…
Curiosamente
é possível que um árbitro internacional possa passar de bestial a besta no
espaço de uma temporada e logo atrás de suprassumos como Paixão ou Capela.
Pois, parece que sim…
Curiosamente
é possível ter um árbitro de segunda Liga a apitar uma final…
E ainda
exigem respeito pela arbitragem. É preciso muita lata. Mais uma vez, a podridão
vem de dentro e mancha aqueles que lutam para dignificar a classe. Classe! Isso
mesmo, é uma questão de falta de classe e de vergonha da parte daqueles que
alimentam um sistema sem rosto a quem todos devem e dele são cúmplices.
Alguém
explica por que carga de água são os juízes avaliados por observadores sem
categoria, ineptos e obscuros? Quem são eles? O que fazem? Para quem o fazem?
No mínimo
os árbitros deviam ser observados por especialistas de créditos firmados na
arbitragem, antigos árbitros internacionais ou por uma comissão alargada.
Já agora
que os critérios de avaliação fossem públicos e regulares para se perceber a que
tipo de aberrações estão os árbitros sujeitos antes de serem levados ao colo ou
metidos numa jarra para amaciar.
Marco
Ferreira foi o cordeiro pascal desta fantochada a que se chama arbitragem. Mero
ato de propaganda para entreter os incautos e iludir os distraídos. Lá dizia o
outro, é preciso limpar a merda toda da Federação.
Assino por
baixo!
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quinta-feira, 18 de junho de 2015
Manchester United - Teatro dos Pesadelos
Ridículo,
terá pensado Sir Alex Ferguson ao assistir à volta olímpica de Van Gaal, no
final da sua primeira época ao serviço do Manchester United. Satisfação pelo
“fantástico” 4º lugar alcançado, pura acção de propaganda ou simplesmente
sintoma de senilidade precoce?
O
que é certo é que o ex-seleccionador holandês não terá conseguido reprimir o
alívio por ter garantido o apuramento europeu após uma primeira volta
preocupante. Afinal, o que seria do Teatro dos Sonhos sem o regresso das suas
noites Europeias? O que seria de Van Gaal?
Na
verdade, não obstante o seu feitio truculento, a longa carreira treinador do
país das túlipas, suscitava a crença no renascimento do todo-poderoso clube do
Noroeste de Inglaterra aleado ao pormenor dos €200M investidos no reforço da
equipa. Com jogadores como Di Maria, Falcão, Blind e até mesmo Marcos Rojo
(!?), para além da base de luxo já existente, composta por Rooney, Van Persie,
De Gea, Mata, entre outros, não havia espaço para menos do que uma firme
candidatura ao título de campeão.
Cedo
os apaixonados discípulos de Sir Bobby Charlton viram goradas as expectativas
de uma época de sonho, fruto de um futebol titubeante e anémico. Van Gaal,
achou que a táctica se havia de sobrepor às vicissitudes do seu plantel e
procurou impor o sistema de três defesas, transplantado da Holanda do Brasil
2014. Nada mais errado pelo que se havia de assistir no decorrer da primeira
metade da temporada inglesa.
Sem
por em causa o sistema táctico de três defesas, não se entendem as adaptações
de jogadores a funções para as quais não estavam rotinados, dispondo o plantel
de elementos suficientes para o desenho holandês sem desvirtuar aquilo que
cada um tem de melhor. Blind a interior esquerdo ou Rooney a
médio de construção são exemplos do destrambelhamento do ex-seleccionador
laranja, que entretanto se permitiu a secar mais-valias da qualidade de um Di
Maria ou de um Falcão. Sendo certo que o avançado tem uma classe que lhe
permite adaptar-se a papéis para os quais não está formatado, é no mínimo
bizarro forçar a sua marcha atrás tendo em Mata jogador mais do que capacitado
para estabelecer pontes com a zona da coruja. Resultado, Van Persie, abandonado
à sua sorte na frente de ataque, trocando classe por suor, com reflexos no
aproveitamento sofrível. Ao mesmo tempo que se propunha à sua revolução
estratégica, Van Gaal, não conteve a sua sobranceria, expondo a sua manta de
retalhos aos adversários, fazendo avançar a equipa até às imediações da grande
área adversária sem a adequada correspondência com o equilíbrio posicional e a
atitude pressionante, fundamentais para garantir equilíbrios. Luxos…
É verdade que existem atenuantes
para a época sofrível dos diabos vermelhos como a onda de lesões que afrontou o
plantel durante grande parte da época, em especial na defesa e também na zona
central do meio campo mas encontrar justificações na figura abstracta do azar
poderá ser demasiado parecendo certo que a equipa técnica terá tido também
neste capítulo culpas no cartório ao não planear adequadamente a metodologia de
treino de forma a prevenir lesões. A mudança de rotinas não tem impacto apenas
ao nível das diferentes abordagens tácticas mas também na relação
físico-atlética do jogador. Ao descurar-se essa evidência fomenta-se o fenómeno
galopante deste tipo episódios. Não há coincidências.
Na segunda metade da época, com
o plantel mais composto, Van Gaal recuperou a compostura, devolveu as feras ao
seu habitat natural e o Man United fez-se renasceu para a vida, a pontos de
enxergar a cabeça do pelotão. Não obstante o sprint final, o tão ambicionado
título não passou de uma miragem para a equipa tendo de contentar-se com o
regresso às competições Europeias o que, bem vistas as coisas, depois de um
começo tenebroso como o aquele que experimentou, acaba por soar a um troféu
digno de uma volta olímpica.
Na próxima época, se o United
não regressar ao destino a que está obrigado pela sua História, o mais provável
é que Van Gaal regresse ao seu amado Algarve mais cedo do que terá idealizado.
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terça-feira, 16 de junho de 2015
A Caravana das Virtudes
Na senda
de uma corrente tão comum no dirigismo desportivo português, Bruno de Carvalho
faz alarde de ser alarve mesmo quando ninguém lhe pede para abrir a boca. É
claro que vivemos num país (cada vez menos) livre (!?) mas isso não significa
que possamos ou devamos cuspir perdigotos para os olhos das pessoas sempre que
nos der na real gana. Por uma questão de dignidade e de respeito por nós mesmos
e os nossos.
O
Presidente do Sporting tem o direito a ser imbecil. Naquele tom gutural de
betinho reguila, BdC, aproveita todos os momentos para insuflar o peito de ar e
investir sobre tudo e contra todos, ao jeito de mártir incompreendido. Bem
sabemos como acabam aqueles que se deixam ofuscar pela ilusão do seu reflexo no
espelho. Há muitos como ele, no desporto e fora dele, para quem a fuga para a
frente, mais do que um projecto de carreira é uma (estranha) forma de vida. Ah
fadistas!
Fazendo
uso de uma modernaça política comunicativa, Bruno de carvalho aproveitou mais
uma vez as redes sociais para curar a azia do insucesso das modalidades do
clube. Vai daí, de uma penada, tratou de culpar o Mundo (mais uma vez) pela sua
desgraça. Segundo ele, O campeonato de Andebol, a taça de Hóquei e o nacional
de Futsal, foram perdidos por erros de arbitragem.
É natural
que, para quem trabalha 24 horas para e pelo clube, não reste muito tempo para
análises aprofundadas ou para debater as verdadeiras razões do insucesso, mas
convinha, para bem das novas auroras floridas, que o relatório não se resumisse
a um copy past estafado, redutor e
minimalista dos arquivos do passado. Algo contraditório para quem se insurge
tão eloquentemente contra os seus protagonistas internos.
Aprender a
ganhar faz-se também (e muito) da dignidade com que se encara a derrota e se
aceita o mérito dos vencedores (Convenhamos que neste particular não existem
diferenças entre os três maiores clubes de Portugal e a dor de corno é um mal
que ataca todos). Quem conseguir decifrar os sintomas dos tempos e as suas
tendências, mais capacitado irá estar para ganhar mais vezes.
Se bem que
existam bruxas e que nem sempre ganhem os melhores, ninguém no fundo acredita
que o tal sistema seja SEMPRE responsável pela incompetência. Por essas e por
outras é que certos Estados se vão adiando, comprometendo o seu futuro e
adulterando o passado…
Por falar
em Estado, a ele se dirigiu o inflamado presidente dos leões, exortando a intervenção
deste para a moralização do desporto nacional. Ao pedir a tomada de posição do
Estado, BdC está a sacudir a água do capote e a assumir a incapacidade dos
dirigentes desportivos portugueses para enfrentar os seus próprios desafios.
Bem vistas as coisas, até nem fica mal a Bruno de Carvalho este arremedo de
humildade. O que se estranha é a tamanha ingenuidade de pensar que quem menos
faz pela moralização das instituições se proponha ao desconhecido. Sorte tem o
presidente leonino se aqueles a quem se dirige não inventarem uma taxa para a
verborreia. Se as palavras pagassem imposto, BdC tinha de arranjar um mealheiro
para não se endividar… ou então um investidor angolano.
Bruno de
Carvalho devia recorrer a acompanhamento especializado em patologias do foro
psicanalítico. Talvez Freud possa explicar os seus complexos de perseguição e
sua tendência para a conflitualidade. Às vezes o silêncio pode ser mais avisado
do que o ruido inócuo. Tal não devia segredo para alguém que é um poço de
virtudes. Mas talvez isso não interesse para nada.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Papoilas Saltitantes
Ora a ideia é apostar na formação para
alimentar a equipa principal. Pois. Luís Filipe Vieira fala por uma meia
verdade. É certo que o presidente do Benfica anunciou pomposamente e por
decreto, uma equipa recheada de craques made
in Seixal, e logo cinco (!). Nem mais nem menos. Uma mão cheia de panfletos
para ilustrar o sucesso de uma década de investimento.
É inegável que LFV muito tem feito por
uma das suas bandeiras predilectas, desde que pela primeira vez tomou posse
como líder da marcha vermelha. A formação do jogador á Benfica, nado e criado
na fábrica de talentos erigida para transformar a matéria, começou por ser uma
quimera, após sucessivas gestões ruinosas e com a construção do actual estádio,
que transformaram o clube numa entidade nómada, até começar a ver a luz do dia
e a pronunciar auroras floridas (as papoilas saltitantes).
Ao assentar arraiais na margem sul, o
clube soube construir uma estrutura sólida e competente, aliando num mesmo
espaço físico, a tecnologia de ponta e os melhores métodos e profissionais.
Inebriado pelo entusiasmo, Vieira, anunciou para breve a espinha dorsal da
Selecção Nacional. É certo que o tempo é relativo, como as palavras. Nesta
história de meias verdades, LFV bem podia estar a referir-se à sociedade
global, estendendo os seus horizontes para lá das fronteiras lusitanas.
Com o dealbar da década, o Centro de
Estágio do Seixal parece ter encontrado o seu ritmo ideal na produção de
talentos. Dali têm saído nos últimos anos craques a troco de somas consideráveis.
Como se diz da galinha, antes de o ser já era. Como se de um fenómeno se
tratasse, o clube tem conseguido exportar os valores da sua cantera sem que o seja por via de uma
natural exposição através da equipa principal. Se André Gomes chegou a ver a
fazer alguns jogos na primeira equipa, outros como Bernardo Silva, Ivan
Cavaleiro ou Miguel Rosa, entre outros, pouco ou nada levaram para contar.
Jesus sempre preferiu ganhar mais algum em comissões. Hábitos antigos…
Num plantel com vinte e cinco jogadores,
dos quais cinco provenientes da equipa “B”, os sintomas apontam para mais um facelift profundo na base da equipa.
Taarabt e Carcela, ambos internacionais marroquinos já assinaram, Zivkovic,
está a caminho e os murmúrios apontam para outros mais. Mesmo dando de barato
que Samaris, Pizzi, Gaitán, Talisca e Maxi poderão estar de partida, a política
desportiva do clube da Luz evidência uma tendência para a circulação de
jogadores que poderá não ser producente para um treinador acabado de chegar e com a pressão de substituir um técnico bicampeão.
No meio desta sangria desatada onde a
Luz parece um entreposto de comercial, sobram dúvidas quanto ao efectivo
aproveitamento de jogadores como Gonçalo Guedes ou João Teixeira os quais
deverão estar talhados para outros voos mas longe da Luz, pela mão de Jorge
“Midas” Mendes, já para falar das paletes que pululam no Seixal, à espera,
quiçá, do mesmo destino.
A Rui Vitória caberá a última palavra,
ou talvez não (estrutura oblige).
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terça-feira, 9 de junho de 2015
Futebol ilusão (ou a ilusão do futebol?)
Final da Liga dos Campeões. Barcelona contra… os coisos. Na praceta que dá para as traseiras, um punhado de miúdos entretém-se a jogar à bola, sobre a calçada e por entre os canteiros de árvores débeis, numa versão moderna das peladinhas de outros tempos. Talvez acabem o jogo. Assim o queiram as consolas, à carga.
Sem esperança, volto para dentro e abraço a nostalgia. Na televisão, o Barcelona insiste em tornar-se anacrónico, avançando em contramão com o sentido do jogo actual, espartilhado por teorias físico tácticas e por um léxico formado por basculações, transições defensivas e ofensivas, jogos interiores e sentidos posicionais. (!?)
O Barcelona insiste na recusa do futebol formal, das sombras cinzentas, incapazes de se distinguir de entre a paisagem e traz para dentro do terreno de jogo os vícios saudáveis de uma adolescência remota, partindo da rebeldia e do improviso para a ordem geométrica das coisas sérias.
Lá fora, os putos riem e a bola foge. Alguém corre a resgatar a réplica perfeita da bola oficial, made in Tailândia, enquanto os outros dão uma volta de smartphone.
De regresso à nostalgia. O losango dianteiro do Barcelona (Barça para os amigos ou simplesmente para os que gostam de futebol) é a oitava maravilha do Mundo e temo que esta apreciação só peque por defeito, pois há virtudes a quem Deus não teve tempo de atribuir significado, por distracção ou por intencional diferenciação entre o banal e o soberbo.
Os quatro magníficos, observados de perto por um génio no ocaso da carreira, de seu nome Xavi, deleitam-se em campo, no seu estilo toca e foge. A baliza é já ali. Mas se fosse para ser fácil, Iniesta, Neymar, Luis Suarez e Messi teriam enveredado por um qualquer tacho na FIFA.
Na praceta, se a algum daqueles meninos perguntassem “o que queres ser quando fores grande?” por certo nenhum teria o discernimento de responder: “ser político”. Afinal a seriedade ainda é um dos pilares da educação familiar. Por enquanto jogar á bola parece um passatempo menos pernicioso… Ámen.
Ver Messi do outro lado do ecrã faz lembrar Maradona a partir pedra num distante Mundial no México. Neymar, o puto maravilha, com sorriso malandro de “garoto” de rua, jogando para a plateia e para o próprio umbigo. Suarez, a gazua com o instinto mordaz dos iluminados, jogando com o coração ao pé da boca, de dentes serrados (!) perseguindo o horizonte de glória como se não houvesse amanhã. Last but not least, o pequeno geómetra, de promessa calva, escravo do passe curto, da visão periférica, do movimento perfeito, como se erro fosse uma ameaça à criação. Iniesta, Iniesta. Grande, grande.
Fim do jogo. O Barça venceu os outros e arrecadou mais uma. Na praceta, o dono do jogo arrebanha a bola e parte sem se despedir, de smartphone a tiracolo. “Jogamos outra vez?” Atira alguém. "Logo se vê".
A festa é blaugrana. E de todos aqueles que se recusam a seguir o rebanho. De todos aqueles para quem a nostalgia do futebol puro os aproxima da mais próxima reencarnação dessas memórias.
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domingo, 7 de junho de 2015
Neymar apoia 100% Jesus
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Jesus e a última ceia?
Deixemos a origem da árvore das patacas para os especialistas em exoterismo ou talvez para os criminalistas. Para o ano é que é. A frase feita, cuja origem se perdeu e perpetuou no tempo, adquire para a próxima época um renovado significado, após a contratação de Jesus pelo Sporting.A noticia caiu que nem uma bomba no espectro futebolístico português. Se nas ultimas semanas começava a ser evidente o divórcio entre o Benfica e o seu carismático treinador, nada levava a crer que o técnico se fizesse á vida no outro lado da segunda circular.
A verdade é que a saída de Jesus da Luz se fez anunciar por alturas de Dezembro quando Luís Filipe Vieira prometeu para a época seguinte uma aposta efetiva na formação do clube e uma retração no investimento do futebol profissional. Nas entrelinhas estaria subjacente um recado para o treinador campeão nacional cuja apetência pelo produto interno sempre foi por si ostracizado.
Neste sim ou sopas, o apóstolo da Reboleira cedo terá percebido que o seu ciclo estaria no fim. O que não se percebe é todo o alarido e incómodo evidenciado com o anuncio do ataque sportinguista. Sendo Jesus um treinador livre de contrato, é obvio que este possa tomar aquela que para si lhe pareceu a melhor decisão para o futuro. Se LFV não estava interessado na continuidade do técnico podia e devia ter tomado conta dos acontecimentos ao invés de se deixar iludir pelas consequências. Ambos podiam ter concertado o anuncio da despedida e poupar-se a fait divers de julgamentos de carácter.
Na verdade o que parece é. Ao jeito de um finge-que-vai-mas-não-vai, o presidente do Benfica assumiu a mudança de paradigma no projeto da sua equipa principal, com sérias dúvidas quanto a tratar-se de Jorge Jesus a pessoa adequada para levar a cabo a mudança e ao mesmo tempo mostrando renitência a largar mão de alguém com competência provada para conquistar títulos. Se LFV não tivesse dúvidas sobre a solidez da tal "estrutura", todo este rambório dos últimos dias não se teria transformado num "Ai Jesus" e até sorriria com irónica bonomia perante os acontecimentos.
Independentemente do folclore em torno do despedimento de Marco Silva, o que é certo é que o golpe de asa dos responsáveis do Sporting surje como uma amostra de repentina vitalidade num clube farto de andar na sombra dos eternos rivais, pronunciando uma inversão total na politica desportiva e de gestão do clube de Alvalade. A aposta leonina é uma clara fuga para a frente, investindo todas as fichas num all in de elevado risco.Se o Sporting for campeão, terá todas as condições para voltar a rugir, se ao invés, a época não for produtiva, o clube arrisca-se a ficar órfão dos seus credores e á mercê de um retrocesso na sua identidade, voltando a uma obscuridade que lhe poderá hipotecar o seu futuro. A direção leonina está convicta de que os fins justificarão os meios. A ver vamos se o copo estará meio cheio ou meio vazio.
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sábado, 6 de junho de 2015
Descubra as "diferenças"
Entrevista a Vale Azevedo que curiosamente, ou não, nos transporta para muitas frases / atitudes que o atual presidente leonino tem tido.
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quinta-feira, 28 de maio de 2015
A Poeira dos dias
Para
cumprir as responsabilidades assumidas perante os seus credores, os principais
clubes portugueses têm de garantir receitas com transferências de jogadores,
bem acima dos €50M por época. O FC Porto na última década e o Benfica nos últimos
anos, tem sabido rentabilizar o forte investimento efectuado nos respectivos
plantéis, garantindo a venda dos seus activos por valores record.
Embora a
época ainda não esteja oficialmente encerrada, o êxodo anual já começou e a
procissão ainda está no adro, se bem que com a dilação cada vez maior dos
períodos de transferências, o andor nunca chegue verdadeiramente ao altar. “É a
economia global, estúpido!” O FC Porto foi o primeiro a prometer o dote de um
dos seus tesouros, numa fase ainda prematura das hostilidades, trocando por
miúdos (milhões) a declaração de amor do Real Madrid por Danilo. Para Jackson
estará á muito reservada a possibilidade de partida para destinos mais
promissores e Alex Sandro desperta a cobiça dos tubarões europeus o que pronuncia
dinheiro em caixa para os cofres do Dragão.
Também o
Benfica, em especial no consulado de Jorge Jesus, tem habituado a sua
tesouraria a jackpots regulares estando habituado a ver partir as estrelas mais
cintilantes do seu plantel. Com a oficina ainda aberta aguarda-se guia de
marcha para Cancelo e Gaitán, mas a feira ainda mal assentou arraiais e a
extracção do minério da Luz promete novos episódios nos próximos tempos.
Esta
tendência para os grandes negócios por parte dos dois protagonistas da nossa
Liga resulta do forte investimento levado a cabo por estes, em parceria com as
entidades bancárias e os chamados Fundos com os quais se tornou possível
adquirir futebolistas de potencial elevado, devidamente rentabilizados em
equipas competitivas, cujo retorno financeiro tem sido uma certeza por parte
dos verdadeiros donos do dinheiro.
Porém, a
crise do sistema bancário, aliada ao fim dos Fundos de Investimento decretada
recentemente pela FIFA, pronunciam ventos de mudança no que toca á principal
fonte de investimento dos clubes de segunda linha do futebol europeu, nos quais
se enquadram os “grandes” do futebol português.
Chegados ao
tempo das vacas magras, em breve se perceberá quem está mais preparado para se
adaptar às circunstâncias. Com a debandada dos seus activos mais lucrativos e
sem (tanto) dinheiro para vícios, a tendência será que as transferências
milionárias sejam cada vez mais raras, a não ser que Benfica e FC Porto
consigam descobrir novos Gaitáns, Danilos e Jacksons, a preço de custo nos
mercados já muito saturados da América do Sul e Central (difícil). Desta forma
não restará às respectivas S.A.D., outro caminho senão o de potenciar os
jogadores da formação, sabendo porem que, tal como na agricultura, existem colheitas
melhores do que outras com consequências nos lucros averbados.
O importante
será garantir o escoamento de “produtos” com certificados de qualidade. Neste
capítulo, diga-se, o Benfica tem sido exemplar; embora com méritos discutíveis
no horizonte do plantel principal; apontando o caminho a seguir, de forma a
rentabilizar os elevados investimentos efectuados nos seus centros de formação
e a garantir a própria sustentabilidade dos mesmos.
Quanto a
reforços e em tempo de vacas magras, o mercado interno parece ser uma tendência
natural. Quem não tem cão caça com gato por isso, de bolsos meio vazios (ou
meio cheios, para não ser tão pessimista) contratar intramuros garante apostas
de baixo risco em futebolistas plenamente adaptados ao nosso futebol e de
competência média interessante para satisfazer as novas exigências.
A tendência
da Liga portuguesa será, portanto, para ver diminuído o fosso entre ricos e
pobres por via de um abaixamento qualitativo dos seus protagonistas. O Sporting
á muito despertou para a realidade. FC Porto e Benfica só agora começam a abrir
os olhos. Bem-vindos ao Mundo real.
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terça-feira, 26 de maio de 2015
Bilal o puto maravilha do Twente
Bilal é nome de Laboratório farmacêutico mas pode ser em breve refrão para um craque. A imprensa divulgou por estes dias o interesse do Benfica no concurso deste jovem extremo do Twente. a confirmar-se a cobiça de United, Bayern ou Dortmund, o melhor apreciá-lo em video...
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Rei morto rei posto
Especulemos…
O
despedimento de Carlo Ancelotti do Real Madrid é a mais recente excentricidade
de Florentino Pérez que, enquanto presidente dos blancos, habituou os adeptos a contratações estratosféricas e a
despedimentos polémicos. Depois de uma temporada em branco, o colosso madrileno
não se compadece com a história recente dos seus protagonistas.
Em apenas
um ano o italiano desceu do céu ao inferno sem parar no purgatório, que é como
quem diz, de bestial a besta, no imaginário próprio de um clube sem projecto de
fundo para o futebol, onde a fama é efémera e o dinheiro não passa de um
pormenor irrelevante. Dinheiro que; já agora; não será dos problemas mais
importantes no futuro imediato do antigo internacional italiano, uma vez que o
seu subsídio de desemprego promete ser ligeiramente mais elevado em relação à
generalidade dos desempregados (!)
Após ter
conquistado a décima (Liga dos Campeões) para o Real; a segunda do seu
currículo enquanto treinador; Ancelotti, concluiu a presente temporada sem
conquistas e, não obstante o seu propalado espírito bonacheirão e a simpatia grangeada
entre os jogadores, não resistiu a profusão de polémicas interinas no decurso
da presente época, como a inveja surda de Bale relativamente a Cristiano
Ronaldo ou as dúvidas de alguma (vasta) crítica sobre a iconoclastia vigente no
balneário, com Casillas à cabeça. Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém
tem razão.
Rei morto,
rei posto. Com a eminente contratação de Rafa Benitez para novel treinador do
vice-campeão espanhol, daqui a um ano voltará a dança das cadeiras na Casa Blanca…
Mas
voltemos a Ancelotti e á especulação que nos trouxe aqui. Agora que O Manchester
City também deve estar para dispensar o seu treinador, não seria de estranhar
que os citizens aproveitassem o
balanço e avançassem para o ex-técnico do Real, garantindo um treinador á
altura para a sua constelação de estrelas.

Já agora e porque não á fumo sem fogo, os mais recentes boatos provenientes da capital espanhola apontam para um descontentamento crescente de Pérez, relativamente a CR7, que a juntar á relação morna deste com a afición madrilista, aponta para uma eventual saída do jogador português. Para além disso, o craque luso veio a terreiro esta semana, em defesa de Ancelotti, divulgando uma foto nas redes sociais na qual presta o seu tributo ao timoneiro italiano.
A Haver lógica nas minudências do futebol, bastaria juntar as pontas
soltas para encontra-mos um final feliz para toda esta história. Estará
eminente a sociedade Ancelotti & Ronaldo no outro clube de Manchester? A ver vamos.
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segunda-feira, 25 de maio de 2015
A mão que encobre o lodo
O campeonato acabou e, como quase sempre, do lado dos vencedores e dos vencidos nunca nada é como foi, por ter sido obra de um velho sistema de costas largas atrás do qual se encobrem vícios e viciosas maneiras de encobrir o sol com uma peneira. Enfim, uma lusitana paixão pela inveja e pelo mal dizer a que a falta de cálcio não será alheia.
O
Benfica sagrou-se bicampeão por culpa de um treinador sagaz que cedo percebeu
que a matéria-prima ao seu dispor não dava garantias de enfrentar a contenda
com a vertigem atacante que tem marcado o seu consulado. Assim, atirou às
malvas a nota artística e optou por um registo eminentemente racional, aqui e
ali pontuado por exibições superlativas mas que no global roçaram o quanto
baste para salvaguardar o resultadismo. Paineleiros e demais especialistas do
futebol indígena apressaram-se a encomendar as exéquias dos encarnados face ao
êxodo de parte da sua espinha dorsal. Contudo, a realidade viria a mostrar a
quão prematura extrema-unção e lá tiveram de meter a viola no saco.
Começando
pela baliza, nunca restaram grandes dúvidas quanto á mais-valia que representava
um guarda-redes a meio caminho entre a experiência e a veterania. Sobre Júlio
César pairava a sombra de um; tão grande quanto esquivo; Oblak que realizara
uma época notável como número 1 da baliza lampiã e as feridas mal saradas da
tareia com que o Brasil fora brindado nas meias-finais do Mundial. Com o tempo
e após muito se ter verberado sobre lesões crónicas, o internacional canarinho
recuperou a sua aura de campeão e os pergaminhos de excelência do passado.
No
defeso o Benfica perdera Garay, insubstituível em função da classe muito acima
da média que passeara pelos relvados com o emblema da águia e esforçou-se para
garantir no mercado jogadores de valor aproximado. Por opção técnica, César e
Lisandro Lopez nunca viriam a convencer e foi em Jardel, que o treinador veio a
depositar total confiança para formar dupla com o omnipresente Luisão. O
patinho feio transformou-se num cisne, garantindo exibições seguras que
surpreenderam os observadores e satisfizeram adeptos.
Samaris
passou metade da época a adaptar-se ao papel de pivôt defensivo e a outra
metade a provar á saciedade o jeito de Jesus para transformar o joio em trigo. Neste
momento, sem que que sobrem garantias para a sua permanência, o grego
apresenta-se como indiscutível para o ataque á nova época e o resto são “pinets”.
Com a
debandada de Enzo Perez, a sangria benfiquista viria a conhecer novo capítulo e
Jesus foi novamente forçado a recolher ao seu laboratório de alquimista para
trazer a público um novo box-to-box. Mais uma vez, os viscerais desconfiados da
praça anteciparam a debacle eminente. Contudo, como num toque de mágica, os encarnados
conseguiram manter o equilíbrio estrutural, inventando Pizzi para uma função
que se julgava órfã. Talisca, perdera o fulgor inicial e nunca chegou a
convencer a exigências da posição 8 no esquema de JJ e Ruben Amorim passou a
época a recuperar de uma prolongada lesão. Embora sem deslumbrar, o transmontano
satisfez as exigências, demonstrando apreciável capacidade de adaptação ao
lugar disfarçando o deficit de agressividade defensiva através de uma técnica
acima da média e boa leitura de jogo, acabando a época com nota positiva sem no
entanto afastar de parte a necessidade do clube procurar no mercado uma solução
mais eficaz.
No
ataque, fazendo dupla com um Lima de pedra e cal nas preferências de Jorge
Jesus, Talisca “Mc Queen” debutou com estrondo, martelando as redes com uma
sofreguidão fora do comum para um jogador desconhecido no mercado europeu e
dobrou o primeiro terço do campeonato com 8 golos na conta pessoal. A ânsia pela
criação de novos heróis foi tal que depressa se dispuseram pretendentes ao
dote, com o Chelsea à cabeça, através do canto de sereia do Happy One. O tempo
encarregou-se de deitar água na fervura e a montanha pariu um rato com o brasileiro
a eclipsar-se pouco a pouco. Para memória futura fica a técnica individual
acima da média, a velocidade e o forte remate do esquerdino que, com tempo para
umas tão reclamadas férias não terá na sua segunda época desculpas para
oscilações exibicionais tão latentes. A rever.
Para
o eclipse de Talisca contribuiu em grande parte o aparecimento de Jonas. O
avançado, proveniente do Valência chegou com o comboio em andamento mas
depressa provou tratar-se de uma mais-valia, demonstrando classe e capacidade
finalizadora, empurrando o seu conterrâneo para uma tão esforçada quanto inconsequente
adaptação ao meio campo ou uma alternativa nunca efectiva á posição de extremo.
Com efeito, Jonas, baixo e franzino faz lembrar um certo João Vieira Pinto, na
morfologia e na maneira como desenha o seu papel em campo.
Posto
isto, o renovado campeão teve o mérito de ser uma verdadeira equipa, corporizando na plenitude o lema que exibe no brasão, sem estrelas maiores nem desculpas menores, percebendo
cedo que os campeonatos se ganham na singularidade de premissas comuns, percebendo os sintomas de dias maus e adaptando-se às vicissitudes do jogo, com
coragem, inteligência e, já agora, sorte.
Há
quem fale em colo, em manto, há calimeros e outros traumas. Para quem gosta de decifrar
os sinais do Tempo, não deixa de ser sintomático o discurso repassado e redutor
sobre conspirações e cabalas. O primeiro passo para o declínio é a cegueira
daqueles que se acham acima de qualquer incompetência, como os discursos de
governos autistas que nos conduziram ao lodo. O melhor de dois mundos para os vencedores…
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segunda-feira, 18 de maio de 2015
Estrelas de papel pardo
Antigamente
a canalha acordava cedo para não chegar atrasada à escola. Todos os dias eram
dias para um joguinho de futebol no remediado campo de terra batida em frente ao
liceu.
Os
primeiros a chegar faziam as equipas. Depois chegavam outros e mais outros,
muitos. Todos contra todos, desde que houvesse bola, era vê-los correr numa
vertigem maior do que a sua compreensão. Suavam-se as estopinhas em autênticas
finais sem lugar para complacência e quando o dono do tesouro maior não
aparecia, a malta desenrascava-se ao futebol humano, no qual o corpo se
substituía ao esférico no seu destino de fura-redes. Quando soava o toque,
dispersava-se para a sala de aula, sacudindo da roupa o excesso de pó, exibindo as escaras dos joelhos como troféus de uma luta benigna e mágica.
No tempo
do futebol puro o conhecimento era empírico, dos pés à cabeça, de calças rotas
e ténis de boca aberta, sem o cheiro a novo das réplicas perfeitas das escolas
de futebol nem dos sonhos formatados em laboratórios franchisados que cresceram
como ervas daninhas pelos centros urbanos.
O menino
cresceu, fez-se homem e descobriu na teimosia empírica que o futebol nasceu
para todos mas nem todos nasceram para ele. Seguiu o seu caminho à sombra do
jogo, comprando um lugar do lado de lá do tapete verde, aos brados, por vezes
em lágrimas, por entre a turba de outros ex-futuros craques, sonhando com a
ressurreição através dos olhos da descendência.
Em menos
de nada, está o menino inscrito numa escola de futebol, fardado a rigor e com
ar de craque em miniatura. Há lugar para todos e a nenhum é negada a esperança
de altos voos, mesmo que ainda não saiba correr, que seja coxo de uma perna ou
das duas, não veja, não ouça ou que confunda futebol com Lego. Viva a
democracia. Desde que pague, não se impede ninguém de acreditar em Bolas de
Ouro ou em Ligas dos Campeões.
As escolas
de futebol são um sinal dos tempos, destes tempos de suspeita racionalidade em
que entidades mascaradas de mercados, substituíram o papel dos ditadores no
despotismo das sociedades modernas. Tudo tem um preço, tudo se resume á esfera
numerológica que a lógica, essa, é uma batata.
O futebol
como fenómeno maior de aglutinação de afetos tornou-se de á muito um espaço
privilegiado para os mercados se alimentarem dos milhões que caem do céu
provindo de lugares exóticos, como quem compra estrelas com amendoins. Embora
sem movimentarem milhões, as escolinhas tornaram-se com o dealbar do Século num
fenómeno empresarial que aproveitou as mais imaginosas obsessões futebolísticas
dos papás.
Esquecem-se
que o talento nasce de geração espontânea. Cristianos Ronaldos não se compram
no supermercado nem em lojas de conveniência embora seja de toda a conveniência
fazer render o peixe enquanto a maré está cheia.
Na
verdade, criar condições para a aprendizagem e desenvolvimento da prática do
futebol até pode ser benéfico desde que não se perca de vista a pureza lúdica
do jogo selvagem. Aproveitar o talento puro e optimizar as valências juvenis
devia ser o foco das escolas de futebol sem descurar o fundamental
amadurecimento humano do individuo enquanto projecto de ser Social. Tal no
entanto não parece ser condição primeira nos projectos empresariais destas
escolas.
Uma
observação atenta do quotidiano destes espaços permite aferir que a metodologia
empregue se destina ao ensino dos fundamentos básicos do jogo a partir de uma
lógica de competitividade que permeia o individuo e não o desenvolvimento das
suas competências numa lógica colectiva.
O mais
chocante é ver que o núcleo fundamental para o crescimento equilibrado; a
família; é o principal elemento desestabilizador do carácter da criança. Basta
assistir a um qualquer encontro de escolinhas e assistir ao espectáculo triste
do incitamento à agressividade muito para além da normalidade entre formadores
de gente, ao ponto de serem, tantas vezes, as próprias crianças a educar os
pais para o fair play.
Tão ideal
quanto utópico seria adaptar o futebol de formação à formação de pai,
fazendo depender o sucesso daquele aos méritos deste.
Da
(de)formação de base se justificam os excessos, a violência que tanto
condenamos e que é sempre culpa dos outros, nos estádios e fora deles.
Não
existem craques sem Homens. Formar para o jogo vai muito para além do passe e o
remate, da defesa ou o ataque. Ensinar futebol é também ensinar cidadania,
porque a vida é apenas um jogo.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
A face e o espelho
Que o Bayern vs Barcelona da edição 2014/15 da
Champions League fez lembrar uma espécie de autofagia em que criador é subtraído
pela sua própria consequência, lá isso fez.
Que o Bayern vs Barcelona fez lembrar uma alegoria
poética sobre esplendor e queda, lá isso fez.
Por falar em arte, que dizer do futebol sambado do Brasil de 82, em que uma bateria de solistas transformou o Mundial numa obra prima do pontapé na bola? Mas este não era um sistema, antes uma super banda em que cada um tocava para si mas sem notas soltas, numa afinação quase perfeita.
O futebol arte, transformou o futebol no maior espectáculo do Mundo, ao ponto de Deus fazer questão de descer á Terra e iludir a lógica colectiva do jogo pelos pés (e já agora, pela mão) de Dieguito, com expoente máximo no México 86, quando fez questão de dar sentido estético a uma frase batida. Em campo era ele e mais dez. Mas isso não era futebol, era Maradona.
Em pleno Século XXI, quis o destino num dos seus sortilégios que na Barcelona de Gaudi, nascesse uma nova tendência artística que haveria de decalcar-se no tempo como uma suprema derivação plástica. Sim ainda falo de futebol. Sim falo do Barcelona de Guardiola, um jovem treinador sagaz para quem a vitória por si mesma não pode sobreviver sem o prazer estético.
Aproveitando os filhos pródigos da sua cantera, Dom
Pepe impôs o prazer quase provocatório do passe curto, jogando ao
esconde-esconde como um bando de crianças despreocupadas numa tarde de Verão.
Exercendo uma pressão alta de elevada intensidade,
este exercício estilístico depende sobremaneira de uma obsessiva procura pela
bola e respectiva reacção à sua perda, da capacidade sublime de tratar o
objecto como um adorno e de a esconder do adversário num envolvimento colectivo
de todos os intervenientes. Uma reinvenção do futebol total com tiques de
malvadez e um certo gosto pelo supérfluo. O Barcelona de Guardiola foi o melhor
sistema defensivo (!) que conheci. O casamento perfeito de uma bipolaridade futebolística
no qual e ao mesmo tempo, dois planos distintos se sobrepõem harmoniosamente.
Quando assumiu o comando do gigante bávaro, muitos se questionaram se este sistema teria cabimento numa realidade antagónica ao diletantismo blaugrana. Disposto em afrontar a lógica implantada, Guardiola deitou mãos á obra e transformou o Bayern numa personificação da sua própria criação. Deitando mão de um punhado de grandes jogadores e aproveitando os que já lá estavam, o técnico esteve perto de provar à saciedade que esta maneira de encarar o jogo podia sobreviver á sua origem e suplantar as fronteiras da sua Catalunha natal. É certo que o campeão alemão chega a provocar temor, tão depressa quanto se deixa enlear na letargia, que outras vezes, menos é certo, lhe provocam arrepios e problemas de identidade.
Dá ideia que faltará a este Bayern um pequeno pormenor
para ser sublime. Messi. Já agora também um central de inegável categoria. Se relativamente
a este ultimo tal dependerá da vontade, no que diz respeito ao primeiro a coisa
já depende de toda uma roda do tempo.
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sexta-feira, 1 de maio de 2015
Caniches, patetas e outros disparates
Era uma vez um caniche que ladrava muito e andava sempre aos saltinhos para dar nas vistas. Este caniche tinha pedrigree mas vivia amargurado com a sua pequenez, culpando tudo e todos pela sua frustrante incapacidade de ser o que não é. Com o tempo foi perdendo a lucidez e só ás portas da morte percebeu que o tempo tinha passado sem que do seu engenho se fizesse noticia, para alem do seu latir nervoso.
Paulo de Andrade não é um caniche mas bem podia ser. Naquele seu jeito tão leonino (!?) de ser vítima de si mesmo, insiste nesta estranha autofagia. Esta semana, resolveu verbalizar uns quantos latidos de circunstância sobre uma velha cassete de fita gasta guardada num sotão de telheiras, entre macaquinhos com complexo de perseguição, o que até vem a propósito em período de definição da Liga, coisa em que o Sporting não tem sido visto nos últimos anos. Vai daí, resolveu aproveitar o tempo de antena que lhe foi dado na CMTV para com a naturalidade de um lunático, culpar a arbitragem por mais uma época a ver passar os comboios. Francamente, se não fosse o respeito pelo mundo animal, mandava este caniche para a Coreia... (http://playwire.com/)
A propósito do mundo animal, quem nunca ouviu falar da história do ovo e da galinha, aquela que antes de o ser já o era? Na habitual conferência de imprensa de antevisão ao jogo com o Benfica, José Mota aproveitou para contar a sua versão deste conto, dissertando com o sentido de humor possível, sobre a sua estranheza e do resto do Mundo pela nomeação de Capela para este jogo. É verdade que Capela faz parte daquele leque de árbitros simplesmente incompetentes que sujam a arbitragem nacional, mas daí a tomar como suas as dores alheias, vai para lá do altruísmo militante. Esta moda da crítica futurologista diz bem da personalidade rasteira de uma certa espécie de agentes do futebol português. Em matéria teatral, Mota terá muito mais a aprender se ler o Auto da Barca do Inferno ou Auto da Visitação para saber a respeitar os tempos de um espectáculo...
Por falar em ridículo, Em entrevista ao SOL, Jorge Jesus entendeu qualificar Lopetegui de "corajoso", acrescentando que o basco havia subido na sua cotação. depois do episódio do clássico de domingo. Por uma questão de piedosa bonomia, o mister da Reboleira, podia aproveitar para ficar calado e a atitude acriançada do treinador dos dragões bastaria para falar pelo seu autor. Mas não, como quem tira com uma mão e tira com a outra, JJ, acrescentou que Lopetegui "é um lider como homem... a qualidade como treinador é outra coisa". Lá dizia o outro, não havia necessidade (http://sol.pt/noticia/389173).
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