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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Estrelas de papel pardo

Antigamente a canalha acordava cedo para não chegar atrasada à escola. Todos os dias eram dias para um joguinho de futebol no remediado campo de terra batida em frente ao liceu.
Os primeiros a chegar faziam as equipas. Depois chegavam outros e mais outros, muitos. Todos contra todos, desde que houvesse bola, era vê-los correr numa vertigem maior do que a sua compreensão. Suavam-se as estopinhas em autênticas finais sem lugar para complacência e quando o dono do tesouro maior não aparecia, a malta desenrascava-se ao futebol humano, no qual o corpo se substituía ao esférico no seu destino de fura-redes. Quando soava o toque, dispersava-se para a sala de aula, sacudindo da roupa o excesso de pó, exibindo as escaras dos joelhos como troféus de uma luta benigna e mágica.
No tempo do futebol puro o conhecimento era empírico, dos pés à cabeça, de calças rotas e ténis de boca aberta, sem o cheiro a novo das réplicas perfeitas das escolas de futebol nem dos sonhos formatados em laboratórios franchisados que cresceram como ervas daninhas pelos centros urbanos.
O menino cresceu, fez-se homem e descobriu na teimosia empírica que o futebol nasceu para todos mas nem todos nasceram para ele. Seguiu o seu caminho à sombra do jogo, comprando um lugar do lado de lá do tapete verde, aos brados, por vezes em lágrimas, por entre a turba de outros ex-futuros craques, sonhando com a ressurreição através dos olhos da descendência.
Em menos de nada, está o menino inscrito numa escola de futebol, fardado a rigor e com ar de craque em miniatura. Há lugar para todos e a nenhum é negada a esperança de altos voos, mesmo que ainda não saiba correr, que seja coxo de uma perna ou das duas, não veja, não ouça ou que confunda futebol com Lego. Viva a democracia. Desde que pague, não se impede ninguém de acreditar em Bolas de Ouro ou em Ligas dos Campeões.
As escolas de futebol são um sinal dos tempos, destes tempos de suspeita racionalidade em que entidades mascaradas de mercados, substituíram o papel dos ditadores no despotismo das sociedades modernas. Tudo tem um preço, tudo se resume á esfera numerológica que a lógica, essa, é uma batata.
O futebol como fenómeno maior de aglutinação de afetos tornou-se de á muito um espaço privilegiado para os mercados se alimentarem dos milhões que caem do céu provindo de lugares exóticos, como quem compra estrelas com amendoins. Embora sem movimentarem milhões, as escolinhas tornaram-se com o dealbar do Século num fenómeno empresarial que aproveitou as mais imaginosas obsessões futebolísticas dos papás.
Esquecem-se que o talento nasce de geração espontânea. Cristianos Ronaldos não se compram no supermercado nem em lojas de conveniência embora seja de toda a conveniência fazer render o peixe enquanto a maré está cheia.
Na verdade, criar condições para a aprendizagem e desenvolvimento da prática do futebol até pode ser benéfico desde que não se perca de vista a pureza lúdica do jogo selvagem. Aproveitar o talento puro e optimizar as valências juvenis devia ser o foco das escolas de futebol sem descurar o fundamental amadurecimento humano do individuo enquanto projecto de ser Social. Tal no entanto não parece ser condição primeira nos projectos empresariais destas escolas.
Uma observação atenta do quotidiano destes espaços permite aferir que a metodologia empregue se destina ao ensino dos fundamentos básicos do jogo a partir de uma lógica de competitividade que permeia o individuo e não o desenvolvimento das suas competências numa lógica colectiva.
O mais chocante é ver que o núcleo fundamental para o crescimento equilibrado; a família; é o principal elemento desestabilizador do carácter da criança. Basta assistir a um qualquer encontro de escolinhas e assistir ao espectáculo triste do incitamento à agressividade muito para além da normalidade entre formadores de gente, ao ponto de serem, tantas vezes, as próprias crianças a educar os pais para o fair play.
Tão ideal quanto utópico seria adaptar o futebol de formação à formação de pai, fazendo depender o sucesso daquele aos méritos deste.
Da (de)formação de base se justificam os excessos, a violência que tanto condenamos e que é sempre culpa dos outros, nos estádios e fora deles.
Não existem craques sem Homens. Formar para o jogo vai muito para além do passe e o remate, da defesa ou o ataque. Ensinar futebol é também ensinar cidadania, porque a vida é apenas um jogo.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

O outro lado da lua

Assim como à uma semana atrás não acreditava num resultado tão expressivo do #FCPorto frente ao #Bayern, esta semana estou convencido de que a equipa bávara não conseguirá transpôr o cabo das tormentas (ainda bem que existem equipas médicas a quem assacar responsabilidades...) Tudo porque os alemães não conseguiram recuperar as suas unidades nucleares, Roben e Ribery.

Na verdade o ainda bi-campeão da Alemanha não será a mesma equipa presunçosa, nova-rica e  atarantada que se deu ao trabalho de desfilar no tapete do Dragão com o ar afectado de um colonialista.  Se os tripeiros conseguirem manter uma intensidade elevada no preenchimento dos espaços no meio campo ofensivo, estarão capazes de  pôr em xeque o rei adversário, o que numa linguagem xadrezistas representaria um bom pronúncio para cheque-mate.

- Ai Jesus! (Perdão! Sem tiradas subliminar) O que será da supremacia bávara mais o seu supra sumo mestre da arte do futebol subjectivo, de autor? Gritarão os puristas do desporto-rei, sempre fleumáticos na defesa do futebol feito teorema matemático.


No velho dilema destes confrontos entre os Davids e os Golias, os primeiros só têm a ganhar, ao passo que os segundos tendem a perder muito mais do que uma eliminatória. Na verdade e não obstante o inevitável tri na #Bundesliga, a equipa de #Guardiola ameaça perder a face, e que face. O look new wave de raizes catalãs, tão elogiado e invejado por esse Mundo fora, poderá não voltar a ser o mesmo e o futuro abrirá feridas difíceis de sarar. Uma coisa é ser goleado pelo Real Madrid outra completamente diferente é ver-se afastado do baile de finalistas pelo representante português - o dos pobrezinhos e bem comportados yes men do sudoeste europeu.

Os augúrios não são bons. Sem Meia equipa de fora e com uma defesa que é uma anedota Dante(sca) o Bayern entrará em campo com legítimas dúvidas existenciais, ainda com os ecos do baile do Bolhão nos ouvidos e a braços com o vislumbre do seu próprio reflexo ao espelho . Um rosto outrora sumptuoso e brilhante, coberto de nódoas negras e com uma luminosidade mortiça no semblante.

O Tiki Taka de Guardiola está cada vez mais vulnerável. Num momento, açambarcador e no outro, transparente e frágil. O FC Porto abriu a caixa de pandora aos pobres. Onde outros num passado recente souberam anular o todo poderoso campeão germânico o Porto confirmou à saciedade que a melhor maneira de enfrentar a besta é impedir que esta cresça para o ataque, anulando a sua capacidade pensante a partir do seu próprio reduto.

Se os azuis e brancos conseguirem ser fieis a este principio, a eliminatória está ganha. Se a coragem ou o engenho lhes falhar, recuando para o seu ultimo terço à espera do final do jogo, estarão condenados, Contrariamente ao que tem sido especulado, a ausência de Danilo e Alex Sandro não será decisiva, pois a matriz de jogo deste Bayern não privilegia a profundidade pelas alas, especialmente sem a presença das suas principais figuras, habituadas a dinamitar o jogo a partir da s extremidades do campo.

A ver vamos onde irá Guardiola descobrir o antídoto para se esconder da evidência e reinventar-se no que resta desta eliminatória.

Pelo sim pelo não o melhor é levar uma equipa médica para o jogo...






quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Causas e efeitos da Mistica (ou falta dela)

O futebol é o mais feminino dos temas assexuados.

É certo e sabido que, no que toca ao futebol, a isenção é uma quimera só comparável à de transformar um político num animal honesto, sobretudo quando toca à rivalidade comparativa da grandeza dos clubes. Neste particular a verdade é volúvel, mudando de padrão na perspectiva das lentes com as quais se enxergam os factos, numa cegueira generalizada que radica dos fundilhos da alma, onde a razão é mais fina e por isso, mais vulnerável ao desgaste da paixão. 

Por mais "isentos" que sejamos e por mais redutora que seja a nossa clubite superlativa, nada obsta a que se use do bom senso quando nos prestamos a verberar sobre virtudes e defeitos dos nossos mais que tudo (É verdade mulheres, por mais que vos doa, o clube é a ultima coisa que trocaremos num momento de crise sentimental). 

Consideremos o FC Porto e o SL Benfica, as duas e únicas  - Mesmo! Por mais que outros penetras peçam meças a essa condição -  superpotências internas no que toca ao futebol. Época após época, no intervalo dos jogos, vai-se entretendo o andor nos painéis de sábios, opinadores e demais paineleiros, que se multiplicam pelos diversos órgãos de  difusão da palavra, como fungos em ramo verde, dissertando sobre poderes hegemónicos por entre teorias mais ou menos conspiratórias ou simplesmente alegóricas para mostrar que a sua virtude é maior do que a do vizinho. E é aqui que a porca torce o rabo. Como meninos crescidos, todos devíamos saber que quantidade não é necessariamente qualidade. De que vale ter o proveito sem aproveitar a fama?...
João Pinto

No que toca a números, é por demais evidente a supremacia do Porto nos últimos trinta anos, relativamente ao Benfica, como também não deixa de ser verdade que até essa fronteira temporal foi dos encarnados essa supremacia. 

Debruçemo-nos pois sobre as razões que conduziram à troca de testemunhos na posição charneira do futebol português. Mais do que questiúnculas de secretaria, de lobbys ou de fruta fresca ("sei que não vou por aí"...) as evidências confirmam que existe um pormenor que vai fazendo a diferença quando se trata de enunciar a força motriz que conduz à vitória. A mística é a identidade de um clube, radicada no espirito de grupo, na ambição e no carácter. 

A mística não nasce das árvores nem se compra nos bancos ou nos investidores, não nasce de geração expontãnea nem se importa da América do Sul. Nasce das memórias e dos exemplos transmitidos de dentro para fora no confronto natural de gerações que se substituem na condição de transmissores dos valores. 
Vítor Paneira

Até final dos anos 80, os planteis de FC Porto e SL Benfica eram eminentemente compostos por jogadores portugueses que se perpetuavam no clube como faces visíveis do "ser portista" ou do "ser benfiquista", comandados por direcções competentes e conhecedoras das sensibilidades próprias do meio ambiente futebolístico. A década seguinte porem marcou uma viragem profunda neste cenário de equilíbrio de valores. A par com a liberalização do mercado e a consequente sociedade das nações em que transformou o jogo, o Benfica  mergulhou no degredo profundo para o qual foi conduzido pós João Santos, por sucessivas direcções descabeladas e incompetentes ou à mercê de chicos espertos de ocasião que transformaram o clube numa agremiação descaracterizada e à deriva. Foram-se os dedos e os aneis. Os planteis perderam os exemplos internos e a mistica transformou-se numa mera alusão temporal.

Se na ultima década o clube voltou a navegar em águas tranquilas e a bater-se por essa hegemonia, não deixa de ser verdade que a mística vencedora não passa ainda de uma esperança encarnada, com muito para andar até se sedimentar na própria história do clube. Mas para arrepiar caminho importa não alimentar a saciedade com desculpas redutoras como arbitragens e sorte, é que uma mentira repetida muitas vezes, transforma-se em verdade, veja-se o caso do Sporting.

  

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Táctica de jogo

Num plano meramente teórico  dir-se-à que as lesões de Gaitan e Salvio permitirão ao Benfica reequilibrar-se tacticamente.

Na ausência dos seus habituais flanqueadores ofensivos, Jesus poderá encostar Enzo Perez à direita do meio campo, recorrendo a Fejsa para a posição 6, de forma a permitir o adiantamento de Matic na posição anteriormente ocupada pelo argentino. Desta forma, o Benfica não perderá a sua identidade e ganhará consistência  no meio campo através  do dinamismo eventual de três homens com capacidade de recuperação e preenchimento de espaços, mantendo a profundidade atacante que lhe é exigível.

A inclusão de Cardozo (de proscrito a titular no espaço de uma semana) devolverá Lima à sua posição de conforto no apoio ao "pinheiro", deambulando por toda a frente de ataque com o seu dinamismo e capacidade de penetração nos espaços. O único senão à explanação destas conjecturas prende-se com recolocação de Markovic na extrema esquerda perdendo com isso a influência que parece exercer com mais equidade quando colocado no centro do terreno. No entanto a sua condição de fora-de-série permite-lhe-à, por certo, disfarçar eventuais transtornos com a sua inteligência e criatividade, em movimentos interiores tão a contra-gosto das defesas, pouco habituadas a desposicionamentos  tácticos como estas diagonais.

Não sendo, por força das circunstâncias, um jogador eminentemente de ala, Markovic não terá tanta capacidade natural para dar profundidade atacante, cabendo a Siqueira essa missão, tarefa para a qual parece devidamente habilitado, a não ser que venha a ser infectado pelo vírus da mediocridade que à tantos anos firmou habitat pela franja esquerda do tapete verde da Luz.

No fundo no fundo e porque no futebol a lógica é uma banana, nenhuma táctica ou jogadores terá cabimento sem as tão faladas dinâmicas colectivas o que, trocado por miúdos, mais não é do que raça, querer e ambição, com as quais se ganham os jogos e os campeonatos e... vencem-se fantasmas.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

A fúria de Toni

Toni é português e não tem muita paciência para gajos de bigode armados em entendidos em futebol.. Nem que Alá tussa - parece pensar o treinador português. O ambiente é atascado e como tal ninguém se entende. Está lindo!




Ventos de leste

E de repente o Sporting acabou por reforçar as suas expectativas para o que resta da época (isto se conseguir livra-se da despromoção) e deve estar bem aliviado por ver partir, de uma assentada, dois dos craques superlativos dos seus maiores rivais. Hulk e Witsel, atraídos pelo dinheiro, zarparam atrás dos rublos e do calor de S. Petersburgo (dasse!). Quem recusaria uma liga tão mediática quanto a liga russa? pois, pois. O que é certo que enquanto os dois clubes portugueses aproveitam para equilibrar as contas e encher os bolsos aos intermediários, as suas equipas de futebol ficam mais fracas. Bem, a verdade é que não deixam de ser dois bons negócios, especialmente o de Witsel. O problema é que se foram os anéis e já não há tempo para ir ás compras...

Ontem à noite na RTP informação, Carlos Daniel resumiu numa frase feliz, as consequências imediatas destas duas transferências: "O Porto perde o seu desequilibrador e o Benfica perde um equilibrador". É certo que os adeptos do Dragão deixam de contar com o seu super-herói favorito mas continuarão a centrar o seu jogo no equilíbrio e não deverão sentir dificuldades de maior para enfrentar as suas obrigações. Já o clube da Luz, parece ferido de morte ao perder, de uma penada, o centro nevrálgico de qualquer equipa que se preze. Com o meio campo reduzido a Matic e a Carlos Martins(!?) Jorge Jesus vai ter de meter os putos na incubadora e repescar André Almeida e André Gomes mais cedo do que era suposto. Espera-se que estes não venham a sofrer as dores do crescimento e que o mister faça jus á nomenclatura milagreira...


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Orgasmos...

Um dos momentos mais empolgantes do futebol é o relato de um golo aos microfones da rádio. Toda a emoção colectiva transbordando como uma repentina erupção vulcânica, vibrante e poderosa, capaz de arrepiar os cabelos. Será disto que muitos falam quando misturam orgasmos com futebol? Não sei. O que eu sei é que, ainda eu não me tinha vindo uma vez que fosse na escuridão solitária das noites da pré-adolescência e já  os meus sentidos vibravam com as epopeias Uefeiras das equipas portuguesas, balançando entre um auto-golo em Budapeste e um penalty em Guimarães, um contra-ataque perigoso ecoando da distante Estocolmo e um canto no derradeiro instante de um teimoso 0-0, em Setubal. Nesse tempo, o que os olhos pouco viam, o coração sentia, descobrindo as texturas dos protagonistas através da arte do relato. Nessas alturas, se me perguntassem o que queria ser quando crescesse eu responderia sem hesitar, relatador  desportivo, a seguir a futebolista, claro, da selecção nacional, de bigode farfalhudo e cabelo à Marco Paulo.


Relato dos golos da selecção nacional frente à Holanda (17.06.2012) através da Antena 1.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

hasta la vitória

Não me levem a mal mas gostava muito de puder passar ás meias para puder derrotar os espanhois. Não é nada pessoal, até tenho uma certa simpatia por nuestros hermanos, sobretudo pelos galegos mas a dor de corno com que o país vizinho encara as vitórias de Mourinho, Ronaldo, Pepe e Coentrão faz-me alimentar uma expectativa voraz por lhes aplicar mais um correctivo no orgulho mesquinho e presunçoso. Se da parte dos Catalães, isso até se compreende, tal já é totalmente inaceitável por parte de certos madrilistas. No fim de contas e agora que penso nisso, uma dúvida floresce em mim, onde será que a dupla Manuel José e Carlos Queiroz irá assistir ao jogo? No Parque das Nações ou em Madrid? 



terça-feira, 29 de maio de 2012

Scolari: O fingidor

Afinal o sargentão não passava de um pau mandado que andava a reboque dos ditadores da nação futebolística nacional. confesso que não faço parte daquela massa crítica de detractores do trabalho de Scolari que, durante cinco anos andaram entretidos em destilar argumentos mal amanhados para justificar o sentimento de antipatia pelo homem. Ele pode até nem ser nenhum génio da bola mas - caramba! - foi campeão do Mundo e quase campeão europeu, ensinando os portugueses a sentir e a exibir orgulho pela sua equipa nacional. 

Porem, as declarações proferidas à RTP roçam o ridículo e denotam o assumir do verdadeiro carácter do brasileiro. Ao justificar a não-convocação de Baía para a selecção como sendo encomenda de Pinto da Costa e de mais uns quantos funcionários federativos, o treinador brasileiro demonstrou a sua falta de coragem e até estupidez ao fiar-se em sopros de orelha para definir as "suas" escolhas. Se fosse tão senhor do seu nariz quanto gostava de fazer passar para a opinião pública, o senhor Scolari teria escutado o próprio jogador e os colegas de selecção antes de crucificar o guarda-redes. 

Afinal andámos a sustentar alguém que andou a gozar com toda a gente. Esquecer-se-á Scolari que, antes de humilhar aqueles que nele acreditavam, humilhou-se a ele próprio ao dar uma imagem de galinha. Se estas coisas transpiram para o Brasil, talvez o soldado raso Scolari, tenha começado hoje a reunir as memórias daquele que um dia se fez passar por treinador.


sábado, 19 de maio de 2012

Onze do ano da Liga portuguesa

Está eleito o melhor onze da liga Zon Sagres 2011/2012. Com a colaboração dos nossos leitores, os verdadeiros entendidos da bola, criámos o onze ideal da época que está prestes a terminar. Quem desdenharia esta equipa vencedora na seu balneário? O nosso obrigado a todos os que contribuíram para esta eleição. Brevemente iremos eleger o treinador do ano e, claro, para isso iremos pedir a todos para se expressar.

ONZE IDEAL DA LIGA 2011/2012


Rui Patrício, João Pereira, Otamendi, Garay, Ínsua, Fernando, Schaars, Witsel, Hulk, James e Van Wolfswinkel

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Os clubes bons vão para o inferno, os outros...

Irónicamente ou talvez não, a última jornada da liga Zon Sagres veio a confirmar a despromoção de um clube cumpridor das suas obrigações salariais. O Feirense é o reflexo visível de um país onde ser irresponsável e incumpridor é a regra, quando, a haver seriedade no meio, outros teriam sido relegados por faltarem à verdade desportiva. 

A liga aprova critérios artificiais, finge que inspecciona e depois assobia para o lado como quem faz o que pode. Esperemos que os dirigentes do Feirense não resolvam atirar a toalha ao chão e juntar-se á fartar vilanagem que anda por aí, ao jeito de, se não podes vencê-los junta-te a eles.

A justiça tarda mas não falha e em breve teremos o Feirense de novo no lugar que merece. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Futebol das cavernas

Eis um exemplo do que devia ser o futebol... se vivesse-mos na idade da pedra, a grunhir e a comunicar por sinais de fumo. Não, por mero acaso não se trata de um jogo da Liga portuguesa, por mero acaso. Cenas eventualmente (como direi) viris, retiradas de um jogo do play off da liga turca, entre o Fenerbahce e o Trabzonsport. 


Imbecilidade pura

Um gajo fica com a testosterona aos saltos, vai atrás do pacote, come o recheio e no fim, digerido o repasto, dá conta de que meteu pé na argola. Dizem que é do ser homem, a ciência explica. O pior é explicar as lágrimas de crocodilo à namorada. 

Vai daí, toca a apostar as fichas todas numa acção temerária. Este resolveu vestir a camisola do principal rival à porta do Emirates. Desconhece-se se a coisa valeu a pena e se o rapaz terá voltado a ser visto.  




quinta-feira, 3 de maio de 2012

Real Mourinho

Mourinho soma e segue
O homem é viciado em títulos e vai daí, já amealhou mais um, agora em Espanha. Lá vai mais uma alfinetada na presunção alheia. Espanha invadiu-nos pela economia e nós damos-lhes o troco através do desporto rei. Irónico, sobretudo vindo de um quintal lusitano onde, por portas e travessas, o futebol se vai afundando com o país. Parabéns ao rei numa nação republicana. As bananas ficam para depois. 


... só há um problema, com tantos triunfos, as partes de José arriscam-se a ser mais manipuladas do que uma concubina. Como a coisa ainda não acabou, o melhor é ungir-se com Voltaren.

Bodas de Ouro

2.5.1962

Foi à cinquenta anos que o Benfica abriu a caixa de Pandora dos títulos europeus de clubes que nas décadas seguintes têm trazido um sorriso de orgulho a um povo pouco crente nas suas capacidades.

Benfica, bicampeão europeu. Foi em Amesterdão e o adversário, o Real Madrid.

Ficha de jogo

BENFICA - Costa Pereira, Mário João, Ângelo, Germano, Domiciano Cavém, Mário Coluna, António Simões, Fernando Cruz, José Augusto, José Águas e Eusébio. 
Treinador: Bella Guttmann.

REAL MADRID - Jose Araquistain, Casado, José Santamaria, Vicente Miera, Pachin, Paco Gento, Luis Del Sol, Felo, Alfredo Di Stéfano, Tejada e Ferenc Puskás. 
Treinador: Miguel Muñoz.

Golos: 0-1, por Ferenc Puskás (17); 0-2, por Ferenc Puskás (23); 1-2, por José Águas (25); 2-2, por Domiciano Cavém (34); 2-3, por Ferenc Puskás (38); 3-3, por Mário Coluna (51); 4-3, por Eusébio (65, gp); 5-3, por Eusébio (68).


terça-feira, 1 de maio de 2012

O bom, o mau e o vilão

Quem de três escolhe um...



Mourinho já esteve sentado na cadeira de sonho... mas ela tinha caruncho.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

ERA UMA VEZ UM CLUBE


Mais um pouco e a célebre frase de Mark Twain: "as noticias sobre a minha morte foram manifestamente exageradas" deixarão de fazer sentido na Liga Portuguesa. Hoje mesmo os jogadores do União de Leiria deram um murro na mesa e rescindiram os seus contratos. 

O segundo maior clube da Marinha Grande, que outrora chegou a ser o maior da sua própria cidade, vai seguir o destino de outros ilustres clubes de futebol e passar a fazer parte do imaginário saudoso da história do futebol nacional. Não será a última vítima de uma epidemia que alastra à muito neste desporto em Portugal. 

Habituados a viver de ilusões; à semelhança dos políticos e dos seus governos; os clubes nacionais foram criando uma imagem de progresso, aproveitando a janela de oportunidades que emergiu com o Euro 2004. No entanto, a falta de visão estratégica dos dirigentes clubisticos e o seu oportunismo de malfeitor trouxeram o futebol português para a beira do precipício.
E agora?

Se houvesse seriedade, o Estado interviria em força para regular em definitivo a mais valia económica que este desporto representa para o país. Mas como o Estado não é uma pessoa de bem, agregado com servilismo aos delinquentes que se escondem atrás do cachecol e lavam as mãos em dinheiro sujo, lá vai seguindo o andor, por entre um coro silencioso de virgens púdicas.

Quem vier atrás que feche a porta

R.I.P.: Salgueiros, Campomaiorense, Boavista, U. Leiria....


VOTAÇÃO - O melhor defesa esquerdo da Liga Portuguesa

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